Governo de França pede recolher obrigatório localizado após distúrbios

Hoje 12:20 — Lusa/AO Online

Lecornu anunciou, após uma reunião de emergência com altos responsáveis governamentais, ter dado instruções aos autarcas para aplicarem a medida nas zonas onde seja considerada necessária."No sábado, apesar das cenas de violência grave e dos extensos danos materiais, ninguém morreu, e isso é um milagre", afirmou o chefe do Governo, defendendo a atuação das forças policiais perante grupos violentos.A decisão surge depois de um fim de semana marcado por distúrbios e pilhagens em várias grandes cidades, incluindo Paris, Lyon e Marselha, na sequência de protestos contra o aumento do custo de vida e as condições nas escolas.Pelo menos 2.400 pessoas foram detidas em todo o país.O ministro do Interior, Laurent Nuñez, apresentou hoje a demissão devido aos incidentes, mas o Presidente francês, Emmanuel Macron, recusou-a devido à "necessidade de manter o comando das forças da ordem no contexto atual", segundo a Presidência.Macron ordenou a Nuñez que tome "todas as medidas necessárias para garantir plena transparência sobre as falhas de planeamento e de recolha de informações" que antecederam a violência.O chefe de Estado pediu também a introdução, "o mais rapidamente possível", de novas táticas policiais no terreno para pôr fim aos incidentes violentos."Apresentei a minha demissão porque sou responsável por tudo o que está a acontecer", afirmou Nuñez à rádio France Inter.O ministro reconheceu que as autoridades "perderam o controlo" em algumas grandes cidades no sábado e admitiu a necessidade de adaptar a estratégia policial perante grupos "extremamente móveis".Segundo as autoridades, centenas de pessoas procuraram confrontos com a polícia e atacaram edifícios públicos, incluindo câmaras municipais e outros serviços do Estado.Em Limoges, no centro de França, um incêndio atingiu o edifício do século XIX da câmara municipal, provocando o colapso do telhado e deixando o imóvel praticamente destruído.Em Marselha, o presidente de Câmara proibiu hoje manifestações e outras concentrações entre o meio-dia e as 20:00 locais.