"Governo da República falhou com a solidariedade para com a Madeira"
Covid-19
27 de jan. de 2021, 17:52
— Lusa/AO Online
Miguel Albuquerque
falava no debate mensal na Assembleia Legislativa da Madeira (ALM),
subordinado ao tema "SARS-CoV-2 - Covid-19 - Situação Epidemiológica",
pandemia que na região já causou 35 óbitos, 4.661 casos positivos dos
quais 2.680 recuperados e 1.946 estão ativos."O
que já foi - e vai ser - investido, realça, por outro lado, com
clareza, como o empréstimo de 458 milhões de euros que a Madeira
atempadamente solicitou e para o qual pediu a atenção e o aval do
Governo da República, durante meses, era algo verdadeiramente importante
e essencial", explicou.Albuquerque
lamentou que o Governo da República, mais uma vez, "tenha falhado com a
solidariedade aos madeirenses e porto santenses neste momento tão
dramático, negando o aval a este empréstimo que se teve de contrair para
fazer face aos impactos da Covid-19".O
presidente do executivo regional recordou ainda que o Governo Regional
de coligação PSD-CDS/PP investiu, em 2020 e 2021, um total de 499,5
milhões de euros, "em ações direta ou indiretamente resultantes dos
impactos da pandemia ou em necessidades para o seu controlo e
acompanhamento"."É muito dinheiro, com
certeza, mas, quando está em causa a vida e a saúde dos nossos
concidadãos, é um imperativo ético utilizá-lo na salvaguarda destes bens
cimeiros que enformam a nossa sociedade civilizada", declarou,
sublinhando que "uma vez mais avançámos, porque era essencial avançar,
ignorando as habituais carpideiras políticas regionais".O
chefe do executivo regional referiu que nunca "embarcou na utilização
da pandemia para o combate político, ou para arremesso deste ou daquele
argumento contra os outros partidos ou mesmo contra o Governo da
República, e sabem que oportunidades não faltaram".Miguel
Albuquerque assumiu, perante os deputados e a população, "a
responsabilidade cimeira de todas as medidas adotadas e das escolhas
feitas", alertando que "não decidir tinha resultado numa tragédia".Os
partidos da oposição com assento na ALM - PS, JPP e PCP - criticaram,
por seu lado, a atuação do Governo Regional, contrariando a sua
perspetiva de que "está tudo controlado".O
líder parlamentar do PS, Miguel Iglésias, indicou, a propósito, que na
terça-feira a região registou o número máximo de casos positivos
registados [160] em 24 horas e recordou o surto de 46 infeções num lar
de idosos público para confirmar que "nem tudo está bem".Também
o deputado e presidente do PS-Madeira, Paulo Cafôfo, exigiu "informação
correta e transparente para tranquilizar a população" assim como
"rigor, competência e planeamento ao Governo Regional".O
deputado único do PCP Ricardo Lume ironizou dizendo que o Governo
Regional "tem um novo mantra que é dizer que está tudo controlado",
apesar de reconhecer o "esforço que tem sido feito".Ricardo
Lume sublinhou, contudo, que a Saúde "não é só a pandemia, mas também
inclui uma série de atos médicos que não podem ser esquecidos",
designadamente os problemas oncológicos.Para
Paulo Alves, do JPP, "a verdade" não é aquela de que "a situação está
controlada", lembrando que a comunidade escolar registou desde janeiro
74 casos positivos, o que que "afetou 1.796 pessoas e, esses, não são
dados tão residuais como o presidente do Governo Regional faz
transparecer".Por seu lado, o secretário
regional da Educação, Jorge Carvalho, contrariou o deputado do JPP,
afirmando que "das 17 escolas do concelho de Santa Cruz [naturalidade do
deputado] nove não tiveram qualquer ocorrência de Covid-19".Jaime
Filipe Ramos, do PSD, e Lopes da Fonseca, do CDS, partidos que suportam
o Governo Regional, elogiaram as medidas aplicadas desde março de 2020
pelo executivo regional de controlo e contenção da epidemia e criticaram
a falta de apoio do Governo da República à Madeira nesta matéria."O
PS nada acrescenta e só confundem", referiu Jaime Filipe Ramos,
enquanto Lopes da Fonseca disse que "do Governo da República só vem
silêncio, negação ou recusa pura, só governa para o continente".A
concluir o debate, o vice-presidente do Governo Regional, Pedro Calado,
reiterou as criticas à falta de apoio da República para com a Madeira e
acusou a oposição de passar uma mensagem de "desgraça, descrédito,
cinzenta e negativa"."Este Governo
Regional, mesmo com muitas dificuldades e com recursos próprios, nós
temos feito tudo aquilo que tem estado ao nosso alcance", assegurou.