Governo da República estabelece modelo de governação para fundos europeus 2021-2027
25 de jan. de 2023, 16:40
— Lusa
Entre
2020 e 2030, Portugal terá apoios europeus superiores a 40.000 milhões
de euros, onde se incluem 23.000 milhões de euros do Portugal 2030 e
18.000 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência. A
este montante acrescem ainda financiamentos no âmbito da Política
Agrícola Comum (PAC) e de instrumentos como o Horizonte Europa ou o
Mecanismo Interligar a Europa.O modelo de governação foi aprovado em Conselho de Ministros no dia 15 de dezembro. No
final da reunião do Conselho de Ministros, Mariana Vieira da Silva
defendeu que “a boa execução dos fundos europeus exige um modelo de
governação claro, eficiente, transparente, ágil e flexível, que promova
sinergias e complementaridades com outras fontes de financiamento e
assegure a parceria com a sociedade civil”.“O
novo modelo de governação preconiza uma maior articulação em matéria de
fundos europeus, abrangendo os Fundos Europeus do Portugal 2030, o
Fundo para o Asilo, a Migração e a Integração (FAMI), e o plano
estratégico da Política Agrícola Comum para Portugal (PEPAC); aposta na
articulação através de redes funcionais; clarifica as competências dos
órgãos de governação e integra exigências adicionais resultantes da
regulamentação europeia, designadamente em matéria de transparência e
controlo”, declarou Mariana da Silva, lendo partes do comunicado do
Governo.No caso do Portugal 2030, o modelo
de governação é constituído por órgãos que “se especializam em razão
das funções que exercem”, nomeadamente coordenação política e técnica,
gestão, acompanhamento, certificação, pagamento, auditoria,
acompanhamento das dinâmicas regionais e articulação funcional. “O
funcionamento dos órgãos de governação do Portugal 2030, designadamente
o funcionamento dos recursos e das atividades necessários à prossecução
das respetivas funções, é assegurado pelo programa de assistência
técnica, ou pela prioridade de assistência técnica de cada programa”,
lê-se no diploma.Já a coordenação política
é assegurada pelos membros do Governo responsáveis pelas pastas do
Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Economia, Ambiente e Ação
Climática, Coesão Territorial, Agricultura e Pescas, bem como pelo
membro do Governo encarregue da “gestão global dos programas financiados
pelos fundos europeus, relativamente ao programa de assistência
técnica”. A Comissão Interministerial de
Coordenação do Acordo de Parceria (CIC) inclui um membro do Governo de
cada área governativa, podendo ser convidados a participar outros
membros. A CIC Portugal 2030 é
responsável por assegurar a coerência da aplicação dos fundos com as
orientações estratégicas, “garantindo a necessária articulação com
outros fundos europeus, bem como a respetiva complementaridade com as
políticas públicas financiadas com recursos nacionais”. A
coordenação técnica do Portugal 2020 cabe à Agência I.P., “sem prejuízo
das competências de coordenação técnicas atribuídas à autoridade de
gestão do Programa Mar”. Entre as funções
da Agência I.P está assegurar a interlocução com a Comissão Europeia e a
coordenação técnica global dos instrumentos de programação,
reprogramação e monitorização dos fundos europeus, emitir orientações
técnicas e pareceres, bem como elaborar a regulamentação específica e
acompanhar o cumprimento das condições habilitadoras ao longo do período
de programação. A autoridade de gestão,
que acompanha a execução de cada programa, está encarregue de elaborar o
plano anual de avisos e orientações de gestão, definir os critérios
utilizados na seleção de operações e garantir o contributo das operações
para a realização dos objetivos e resultados específicos das
“prioridades relevantes”, entre outras. Os
órgãos pagadores são a Agência IP para o Fundo Europeu de
Desenvolvimento Regional (FEDER), Fundo Social Europeu (FSE+), Fundo de
Coesão (FC) e o Programa FAMI. O
Instituto do Financiamento da Agricultura e das Pescas (IFAP) é agente
pagador para o Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da
Aquicultura (FEAMPA). Os órgãos de
auditoria, por seu turno, abrangem a Inspeção-Geral de Finanças (IGF) e
as estruturas segregadas de auditoria da Agência I.P. e do IFAP. O
acompanhamento das dinâmicas regionais do Continente é assegurado pelas
CCDR - Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e os meios
financeiros, administrativos e técnicos para o acompanhamento são
suportados “pelas dotações de assistência técnica dos programas Portugal
2030”. De acordo com o diploma hoje
publicado, a coordenação do Portugal 2030 é promovida através de redes
de articulação funcional, criadas pela CIC Portugal 2030. Desde
já, está criada a rede de coordenação, rede de monitorização e
avaliação, rede de comunicação, rede de capacitação e qualificação da
procura, rede de inovação e transição digital, rede de ação climática e
sustentabilidade, rede de demografia, qualificações e inclusão e a rede
de dinâmicas regionais. Todas as ações
aprovadas têm que ser publicadas no Portal dos Fundos Europeus, no
‘site’ do respetivo programa e no Portal Mais Transparência. “Compete
à Agência I.P., criar e manter em funcionamento o Portal dos Fundos
Europeus, bem como disponibilizar a informação necessária à atualização
do Portal Mais Transparência, competindo a cada autoridade de gestão
manter o sitio da internet do respetivo programa”, indicou. Os
beneficiários vão ter uma linha de apoio – “Linha dos Fundos” –, para
esclarecer todas a matérias relacionadas com fundos europeus. O
programa Portugal 2030 terá 22.995 milhões de euros de dotação,
distribuída pelos vários programas, destacando-se a verba atribuída à
demografia, qualificações e inclusão, que ascende a 5.691 milhões de
euros. O decreto-lei entra em vigor esta quinta-feira.