Governo da Madeira vai diminuir tempo de serviço para vinculação automática de professores
6 de mai. de 2025, 17:52
— Lusa/AO Online
O
secretário regional da Educação, Ciência e Tecnologia, Jorge Carvalho,
indicou que o executivo pretende rever o Estatuto da Carreira Docente
“no que respeita à redução do tempo de serviço para a vinculação dos
docentes profissionalizados, garantindo-se que a mesma continuará a ser
automática”.O governante falava na
discussão setorial do Programa do XVI Governo da Madeira (PSD/CDS-PP),
para o período 2025-2029, que teve início e termina na
quinta-feira, com aprovação garantida devido à maioria absoluta formada
por sociais-democratas e democratas-cristãos.Jorge
Carvalho referiu que, como ainda não foi possível rever o Estatuto da
Carreira Docente, justificando com a moção de censura que levou à queda
do anterior executivo, será introduzida em sede do Orçamento Regional
para este ano “uma vinculação extraordinária” de professores.O
secretário da Educação precisou que é intenção do executivo madeirense
que a vinculação ocorra de forma automática entre três e quatro anos,
dependendo dos casos.Ainda com o objetivo
de criar “condições favoráveis e motivadoras ao exercício da profissão
docente na região”, o governo madeirense compromete-se a abolir as
quotas de acesso aos 5.º e 7.º escalões da carreira docente e a fazer a
contagem do tempo de serviço na transição entre carreiras pelos docentes
que vincularam antes de 2011, destacou.Jorge
Carvalho não adiantou, porém, quando é que estas medidas entrarão em
vigor nem precisou o número de professores abrangidos pela vinculação
extraordinária. O responsável pela pasta
da Educação defendeu que este Programa do Governo foi sufragado pela
população que, através do voto, “deixou claro que se revê nas políticas
prosseguidas nos últimos mandatos e confiam no cumprimento das mesmas”.O
responsável, que tutela também as áreas do desporto, ciência,
tecnologia, comunicação social e administração da justiça, realçou que a
educação é a área mais relevante da sua secretaria e enunciou um
conjunto de indicadores que sustentam a sua “situação claramente
positiva”.“O abandono escolar é residual, a
taxa de abandono precoce de educação e formação está abaixo da meta
europeia para 2030, as taxas de progressão nos diversos ciclos e a taxa
de conclusão da escolaridade obrigatória ronda os 100%”, apontou.Jorge
Carvalho salientou, também, que a transição digital já inclui os anos
de escolaridade entre o 5.º e o 12.º ano, sendo que todos os alunos
deste último nível serão abrangidos no próximo ano letivo.Durante
o debate, Miguel Ganança, do JPP, assinalou a falta de professores,
alunos sem aulas, as horas extraordinárias exigidas aos docentes,
vincando que “esta é a realidade” e que os governos sociais-democratas
não têm tido “ousadia, visão e capacidade política para implementar
novas medidas eficazes”.O deputado do JPP,
o maior partido da oposição no parlamento insular, alertou também para a
falta de professores e para o envelhecimento da classe docente.Pelo
PS, Sancha Campanella acusou o executivo de fazer um “exercício de
repetição”, com as mesmas orientações estratégicas, considerando que o
documento não inclui três questões fundamentais: a saúde mental de
alunos e docentes, a sobrecarga de burocracia e o ‘bullying’.“O que se omite, perpetua-se. Estes três silêncios não são acidentais, são escolhas”, acrescentou. O
deputado do PSD Válter Correia contrapôs que a educação tem sido um dos
setores em que o Governo Regional “mais tem vindo a investir para
promover o desenvolvimento equilibrado e harmonioso da região autónoma”.Manuela
Gonçalves, do Chega, questionou ainda Jorge Carvalho sobre a contagem
do tempo de serviço para professores que começaram a carreira no
privado, enquanto Gonçalo Maia Camelo, da IL, perguntou se a opção pelo
digital não está em contraciclo com o que tem sido feito por outros
países “líderes em matéria de educação”.O parlamento da Madeira é constituído por 23 deputados do PSD, 11 do JPP, oito do PS, três do Chega, um do CDS-PP e um da IL.