Governo da Madeira salienta crescimento económico e alerta para tempos de incerteza
7 de mai. de 2025, 12:36
— Lusa/AO Online
“Nestes tempos,
esperemos o melhor e preparemo-nos para o pior. E enfrentemos o que
vier, com coragem e determinação”, vincou José Manuel Rodrigues
(CDS-PP).O governante falava na discussão
setorial do Programa do XVI Governo da Madeira (PSD/CDS-PP), para o
período 2025-2029, que teve início na terça-feira e termina na
quinta-feira, com aprovação garantida face à maioria absoluta formada
por sociais-democratas e democratas-cristãos.José
Manuel Rodrigues salientou que o atual executivo “entra em funções com
um saldo acumulado muito significativo de crescimento da economia, nos
últimos 48 meses” e com “um saldo claramente positivo de criação de
empresas, no primeiro trimestre deste ano, e o desemprego mais baixo de
há 21 anos”.“Contudo, estamos conscientes
de que temos pela frente um clima geopolítico e um ambiente económico
marcados por transformações impensáveis, por incertezas relevantes e,
sobretudo, por uma grande imprevisibilidade”, reconheceu, afirmando ser
necessário estar preparado para responder às novas exigências provocadas
pelos conflitos mundiais e pela guerra comercial em curso.O
secretário regional da Economia, que era presidente da Assembleia
Legislativa da Madeira desde 2019, reforçou que “os sinais destes novos
tempos não oferecem grandes otimismos, pelo contrário, trazem notas
preocupantes de protecionismos, obstáculos ao comércio livre e a
escalada de retaliações entre países”.O
desafio que se impõe ao Governo Regional, destacou, “é manter o
crescimento económico no turismo, nos serviços, no imobiliário, no setor
tecnológico” e “apoiar ainda mais a internacionalização das empresas e
aumentar as exportações”.José Manuel
Rodrigues salientou, ainda, a necessidade de “introduzir uma maior
diversificação na economia regional e torná-la mais resiliente e
preparada para enfrentar o impacto das situações imprevisíveis do
mundo”.O secretário da Economia
considerou, também, que “só há verdadeiro crescimento económico” se “a
riqueza criada anualmente tiver reflexos na melhoria da vida das pessoas
e das famílias”, referindo que o executivo pretende continuar a
reduzir impostos e aumentar salários.Entre
várias medidas, o Governo Regional compromete-se a “lançar na
negociação, no âmbito da concertação social, a possibilidade de extensão
do subsídio de insularidade a todos os trabalhadores, de forma gradual,
e a estabelecer um salário de referência para os jovens licenciados”.Pelo
PS, o deputado Vítor Freitas assinalou que não há qualquer referência
ao subsídio de insularidade no Programa do Governo, questionando o
executivo sobre como é que será cumprida esta promessa.José
Manuel Rodrigues respondeu que há 30 anos que defende que este
subsídio, pago apenas aos funcionários públicos, deve ser estendido ao
setor privado, apontando que têm existido progressos nesse sentido em
alguns acordos coletivos e acordos de empresa firmados recentemente.O governante defendeu igualmente que o subsídio de insularidade deve abranger os reformados e pensionistas. O
deputado Basílio Santos, do JPP, o maior partido da oposição, descreveu
o Programa do Governo como um documento de “palavras bonitas com boas
intenções” e questionou quando sairão do papel e deixarão de “embelezar e
alimentar notícias que vão passando com medidas repetidas”.Pelo
Chega, Miguel Castro perguntou se o Governo Regional pode assegurar um
‘ferry’ para operar entre a Madeira e o Porto Santo enquanto o navio
Lobo Marinho está na sua manutenção anual no início de cada ano, ao que
José Manuel Rodrigues respondeu que não existe essa possibilidade no
mercado internacional para fretar um navio durante um mês.Já
o deputado único da IL, Gonçalo Maia Camelo, perguntou qual é o plano
para o Instituto de Desenvolvimento Empresaria (IDE), referindo que tem
estado parado nos últimos anos, enquanto Bruno Melim, do PSD, criticou o
discurso da oposição de que está “tudo numa desgraça”.O parlamento da Madeira é constituído por 23 deputados do PSD, 11 do JPP, oito do PS, três do Chega, um do CDS-PP e um da IL.