Governo da Madeira rejeita atrasos no envio de apoio porque tem de cumprir a lei
Venezuela/Sismo
Hoje 11:56
— Lusa/AO Online
“O Governo
Regional não vai atribuir dinheiro público à margem das regras, nem
atropelar procedimentos legais apenas para satisfazer a pressão ou a
agenda política de quem faz oposição”, diz o executivo madeirense num
comunicado distribuído na Madeira.O
executivo madeirense reage assim às acusações do Juntos Pelo Povo (JPP),
que hoje, também em comunicado, critica a falta de “credibilidade” do
Governo da Madeira porque prometeu enviar 150 mil euros para as vítimas
dos sismos na Venezuela, mas passados dois meses “nem um euro” chegou às
instituições no terreno “A urgência não
suspende a lei. A solidariedade não dispensa a legalidade. E o dinheiro
dos contribuintes exige rigor, transparência e responsabilidade”,
salienta o governo insular (PSD/CDS-PP) liderado por Miguel Albuquerque
na resposta divulgada pela direção regional das Comunidades e Cooperação
Externa.No mesmo documento, considera ser
“legítimo exigir rapidez”, mas rejeita que nada esteja a ser feito
neste processo, alegando que “existem decisões tomadas, verbas afetadas e
um processo administrativo em curso”.Destaca
que o Governo Regional esteve no terreno desde os primeiros dias dos
sismos na Venezuela que “mobilizou os serviços competentes para
identificar necessidades e preparar uma resposta concreta”.“Essa
resposta traduz-se em 150 mil euros destinados excecionalmente às
associações madeirenses na Venezuela, verba que resulta do reforço de 60
para 150 mil euros do apoio ao movimento associativo madeirense na
diáspora e que será integralmente canalizada este ano para aquela
comunidade”, realça.Também menciona que as
associações tiveram de apresentar projetos e documentação ao abrigo da
lei e esta direção regional “está a preparar os respetivos
contratos-programa, para serem aprovadas tão breve quanto possível”. “Existem
processos que aguardam documentação, mas isso não significa inação.
Significa cumprir escrupulosamente a lei”, reforça o Governo Regional.
Ainda assegura que vai continuar a trabalhar “com a maior celeridade
possível para concretizar os apoios, mas fá-lo-á sem atalhos, sem
facilitismos e, sobretudo, sem atropelar a lei”.“A comunidade madeirense na Venezuela merece respeito e respostas concretas — não aproveitamento político”, conclui.O
duplo sismo de 24 de agosto causou danos graves em infraestruturas,
pessoas feridas e vítimas mortais em sete estados da Venezuela, Caracas,
Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o que
registou maior afetação.Segundo o último
balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.438 pessoas faleceram e
86.358 pessoas foram assistidas nos hospitais depois dos sismos.Entre os mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.Foram
inspecionadas 59.109 habitações, das quais 34.680 foram consideradas
habitáveis, 13.733 com restrições e 10.696 de "alto risco", tendo já
sido removidas 528.222 toneladas de escombros.Os
sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas,
com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de
réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.O
Banco Mundial estimou em 19,6 mil milhões de dólares (16,9 mil milhões
de euros) a destruição material casada pelos terramotos.