Governo da Madeira quer intervenção de Marcelo para encerrar aeroportos do arquipélago

15 de mar. de 2020, 19:59 — AO Online/ Lusa

Miguel Albuquerque, que falava em conferência de imprensa diária sobre a pandemia da Covid-19, salientou que não obteve resposta do primeiro-ministro ao seu pedido para encerrar o movimento aéreo nos aeroportos da Madeira e Porto Santo, pelo que solicitou uma audiência ao Representante da República na região.Segundo o presidente do Governo Regional, o objetivo é pedir a intervenção do Presidente da República para resolver esta situação, considerando que é a única forma de proteger os madeirenses e porto-santenses.Na ocasião, Miguel Albuquerque informou que estão a ser acompanhados cerca de 100 pessoas no arquipélago, não existindo ainda qualquer caso positivo de Covid-19 confirmado.O novo coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19 foi detetado em dezembro, na China, e já provocou mais de 6.000 mortos em todo o mundo.O número de infetados ronda as 160 mil pessoas, com casos registados em pelo menos 139 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 245 casos confirmados. Do total de infetados, mais de 75 mil recuperaram.O epicentro da pandemia provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) se deslocou da China para a Europa, onde se situa o segundo caso mais grave, o da Itália, que anunciou no sábado 175 novas mortes e que regista 1.809 vítimas fatais.O número de infetados em Itália, onde foi decretada quarentena em todas as regiões, é superior a 21 mil, cerca de 3.500 mais do que na sexta-feira e praticamente metade dos quase 43 mil casos confirmados na Europa, que regista mais de 1.900 mortos.Até à meia-noite de sábado (16:00 horas em Lisboa), o número de mortos na China continental, que exclui Macau e Hong Kong, subiu para 3.199, após terem sido contabilizadas mais 13 vítimas fatais.No total, o país soma 80.844 infetados, registando apenas 20 novos casos, e a Comissão Nacional de Saúde informou que, até à data, 66.911 pessoas receberam alta após terem superado a doença.Além de China e Itália, os países mais afetados são Irão, com 724 mortos (113 novos), Espanha, com 288 (152 novos), e França, com 91 (11 novos).Face ao avanço da pandemia, vários países têm adotado medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena inicialmente decretado pela China na zona do surto.Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos de infeção confirmados para 245, mais 76 do que os registados no sábado.Entre os casos identificados, 136 estão internados, dos quais novo em unidades de cuidados intensivos, e há duas pessoas recuperadas.Lisboa e Vale do Tejo é agora a região que regista o maior número de casos confirmados (116), seguida da região Norte (103), e das regiões Centro e do Algarve (10). Há um caso nos Açores e cinco no estrangeiro.O boletim epidemiológico assinala também que, desde o início da epidemia, a DGS registou 2.271 casos suspeitos e mantém 4.592 contactos em vigilância, menos do que no sábado (5.011).O Governo declarou o estado de alerta no país, colocando os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança em prontidão, e anunciou a suspensão das atividades letivas presenciais em todas as escolas a partir de segunda-feira.A restrição de funcionamento de discotecas e similares, a proibição do desembarque de passageiros de navios de cruzeiro, exceto dos residentes em Portugal, a suspensão de visitas a lares em todo o território nacional e o estabelecimento de limitações de frequência nos centros comerciais e supermercados para assegurar possibilidade de manter distância de segurança foram outras das medidas aprovadas.Os governos regionais da Madeira e dos Açores decidiram impor um período de quarentena a todos os passageiros que aterrarem nos arquipélagos, enquanto o Governo da República desaconselhou as deslocações às ilhas.Já tinham sido tomadas outras medidas em Portugal para conter a pandemia, como a suspensão das ligações aéreas com a Itália.