Governo da Madeira pondera alargar bolsas de estudo e reduzir IRS
Crise/Inflação
7 de set. de 2022, 14:13
— Lusa/AO Online
“Temos uma margem”
para implementar medidas complementares às que foram anunciadas na
segunda-feira pelo Governo da República, afirmou Miguel Albuquerque aos
jornalistas à margem de uma visita que efetuou a uma empresa do ramo
automóvel.O chefe do executivo madeirense apontou que um dos objetivos em análise é “alargar o número de
apoios para as bolsas de estudo” e “possivelmente os apoios às
creches”.“O maior investimento que estamos
a fazer é na Educação e na formação superior dos nossos jovens. Acho
que temos alguma margem para alargar as bolsas de estudo para o ensino
superior”, vincou.O governante insular
complementou que também “é possível, no próximo ano, que se faça uma
redução no IRS, sobretudo no 3.º e 4.º escalões” neste arquipélago.“Essa é uma perspetiva que estou a analisar com o secretário regional das Finanças” da Madeira, indicou.No
entanto, Miguel Albuquerque argumentou que, embora o Governo Regional
ainda tenha margem para implementar medidas complementares, muitas “já
estão concretizadas”, dando como exemplo o apoio aos passes sociais
(8 ME), o complemento para os idosos (4 ME), creches (4 ME), além dos
apoios ao gás de botija, entre outros.O
presidente do Governo insular voltou a defender que uma eventual “a
baixa do IVA tem de ser bem calculada”, opinando que “não tem
repercussão direta no consumidor” e muitas vezes essa descida “é
absorvida pela cadeia”.Recordou que nesta
região cerca de 60 produtos já têm o IVA reduzido, considerando que este
imposto “não leva em conta o rendimento de cada um”.“Sou muito mais favorável da redução no chamado imposto progressivo do que no imposto indireto”, apontou.Albuquerque
enfatizou que “a redução de 1% só no IVA na Madeira significa 24,5% na
receita da região”, sublinhando: “Eu tenho de gerir o equilíbrio
orçamental, porque nós precisamos de receitas para fazer face as
despesas que temos com a saúde, a educação, etc”.O
Governo liderado por António Costa anunciou na segunda-feira um pacote
de medidas de apoio aos rendimentos das famílias, que ascende a 2,4 mil
milhões de euros, tendo em vista a mitigação dos efeitos da inflação e
do aumento dos custos energéticos.As
medidas incluem a redução do IVA no fornecimento de eletricidade dos
atuais 13% para os 6% até dezembro de 2023, o prolongamento da vigência
até ao final do ano da suspensão do aumento da taxa de carbono, da
devolução aos cidadãos da receita adicional de IVA e da redução do ISP
(imposto sobre produtos petrolíferos).Será
também atribuído um pagamento extraordinário no valor de 125 euros a
cada cidadão não pensionista com rendimento até 2.700 euros brutos
mensais e, a todas as famílias, independentemente do rendimento, um
pagamento extraordinário de 50 euros por cada descendente até aos 24
anos que tenham a seu cargo.Os
pensionistas vão receber 14 meses e meio de pensões, em vez dos
habituais 14 meses, sendo a meia pensão extra paga em outubro.Foram
igualmente anunciados aumentos das pensões, em 2023, de 4,43% para
pensões até 886 euros, de 4,07% para pensões entre 886 e 2.659 euros, e
de 3,53% para as outras pensões sujeitas a atualização.