Governo da Madeira estuda medidas para colmatar aumento de preços
Ucrânia
26 de abr. de 2022, 14:32
— Lusa/AO Online
“Por
via da invasão da Ucrânia há um aumento de preços nos produtos e nos
fatores de produção […]. Estamos a trabalhar no sentido de implementar
um conjunto de apoios”, afirmou Humberto Vasconcelos no plenário da
Assembleia Legislativa da Madeira, no Funchal.O
secretário madeirense esteve no parlamento a defender uma proposta de
decreto legislativo regional que visa regular “as atividades de
distribuição, de venda e de aplicação de produtos fitofarmacêuticos”.Humberto
Vasconcelos adiantou existirem contactos com o Ministério da
Agricultura visando “minimizar o impacto do aumento de preços” e admitiu
a possibilidade de ser afeta uma “verba a fundo perdido” devido ao
aumento dos adubos e fertilizantes.Ainda
sobre a proposta de diploma que apresentou, o governante sublinhou que o
objetivo deste diploma é promover “uma utilização mais sustentável dos
pesticidas”, apostando em “melhor informar, sensibilizar e promover o
uso adequado deste tipo de produtos”.O
diploma também prevê “procedimentos de monitorização à utilização dos
produtos fitofarmacêuticos para uso profissional e estabelece o regime
de inspeção obrigatória dos equipamentos autorizados para uso
profissional” em cumprimento das normas europeias. “Hoje,
damos mais passo no melhoramento das condições de manuseamento,
distribuição e venda de produtos fitofármacos, tendo em consideração as
especificidades do setor agrícola da Região Autónoma da Madeira”, disse.Pelo
JPP, Rafael Nunes argumentou que o Governo Regional (PSD/CDS-PP) “levou
13 anos a adaptar uma diretiva europeia à Madeira” nesta matéria e
referiu que a proposta “tem tanto de irónica como de incoerente”, visto
que os eurodeputados do PSD “chumbaram uma estratégia” neste sentido.A
deputada do PS Sílvia Silva corroborou as críticas, opinando que “na
utilização sustentável de pesticidas os maus exemplos na Madeira são
muitos” e referindo que os serviços da proteção da natureza continuam a
utilizar produtos nocivos para o ambiente e são ainda efetuadas
pulverizações aéreas de pesticidas.Ricardo
Lume, do PCP, destacou que a região regista uma “dependência excessiva
do exterior”, uma realidade que é “necessário alterar”, porque
representa “grandes dificuldades para a população”, numa altura em que
“está confrontada com um aumento exponencial, nomeadamente dos cereais,
devido à guerra na Ucrânia”.O presidente do parlamento da região, o centrista José Manuel Rodrigues,
‘desceu ao plenário’ e ocupou o seu lugar de deputado para defender uma
proposta de alteração ao decreto legislativo regional que criou, em
fevereiro de 2021, o Prémio +Valor Madeira, da Assembleia Legislativa da
Madeira, para permitir a admissão de trabalhos em língua estrangeira.Este
prémio, destinado a distinguir “aqueles que se destacam as áreas do
conhecimento, estudos, trabalhos e investigação em desenvolvimento
regional”, tem sido “uma experiência positiva, atendendo às inúmeras
candidaturas” recebidas, salientou.José
Manuel Rodrigues apontou que, apesar desta abertura a línguas
estrangeiras, fica salvaguardada a língua portuguesa, visto que os
trabalhos devem ser acompanhados de “uma tradução global, fidedigna,
certificada pelo autor”.As propostas debatidas serão votadas no plenário de quarta-feira.