Governo da Madeira espera vitória da AD para resolver dossiês pendentes com a região
Legislativas
2 de mai. de 2025, 12:25
— Lusa/AO Online
“O que espero do
novo ciclo político é ter um Governo de maioria da AD [coligação
PSD/CDS-PP] para podermos fazer três coisas essenciais”, disse à agência
Lusa, enumerando como prioridades a revisão das Lei das Finanças
Regionais, a criação de um sistema fiscal próprio e o alargamento dos
poderes das regiões autónomas. Miguel
Albuquerque, que lidera o PSD/Madeira desde 2014 e o Governo Regional
desde 2015, sublinhou ser fundamental, desde logo, alterar o modelo de
indexação do Fundo de Coesão para as regiões autónomas, de modo a que as
verbas não sejam apuradas em função do Produto Interno Bruto (PIB)
regional. “É uma injustiça e não tem
qualquer sentido, uma vez que, mesmo sendo o PIB alto nas regiões, as
dificuldades da ultraperiferia se mantêm”, sustentou.De acordo com as previsões oficiais, a Madeira vai fechar o corrente ano com um PIB na ordem dos 7.500 milhões de euros. Ainda
no campo das finanças regionais, o governante madeirense conta ter
margem de negociação com o próximo Governo da República para avançar com
a criação de um sistema fiscal próprio no arquipélago.Um
dos objetivos é alargar o diferencial fiscal, que atualmente permite a
redução até 30% na cobrança de impostos na região face ao continente.Miguel
Albuquerque defende, por outro lado, que o Estado deve assegurar os
sobrecustos em áreas como Educação, Saúde, Proteção Civil e Habitação, e
também deve reforçar a sua contribuição ao nível dos custos da
mobilidade aérea, marítima e digital.“Depois,
é fundamental haver um compromisso por parte do Governo nacional e da
maioria [na Assembleia da República], num quadro de revisão
constitucional, para alargar os poderes das regiões e resolver problemas
como a gestão partilhada do mar territorial”, sustentou. O
social-democrata manifestou-se confiante na vitória da AD na região
autónoma, que elege seis deputados à Assembleia da República, onde
atualmente têm assento três representantes do PSD, dois do PS e um do
Chega. “A nossa expectativa é ganharmos as
eleições e acho que temos todas as condições para ganhar”, disse,
vincando que PSD/Madeira conta eleger pelo menos três deputados. Já
em relação aos debates televisivos entre os líderes dos oito partidos
com assento na Assembleia da República, que terminaram na quarta-feira e
marcaram o período da pré-campanha eleitoral, Miguel Albuquerque
questiona seu impacto junto dos eleitores, embora considere que “os
debates são sempre importantes”. “Tenho é
dúvida da abrangência dos debates. Acho que há um excesso de debates [28
no total]. São muito mais interessantes para os comentadores do que
propriamente para a população”, argumentou.