Governo da Madeira entrega proposta de Orçamento Regional no valor de 2.195 milhões de euros
8 de jul. de 2024, 17:28
— Lusa/AO Online
“É
um documento que está formalmente entregue aqui na Assembleia, o
Governo [Regional] está a assumir aquilo que tinha prometido de que,
aprovado que fosse o Programa do Governo, iríamos entregar o mais
rapidamente possível uma proposta de Orçamento e de Plano de
Investimentos”, salientou Rogério Gouveia, em declarações aos
jornalistas após a entrega dos dois documentos ao presidente do
parlamento madeirense, José Manuel Rodrigues, no Funchal.No
início de janeiro, o Governo da Madeira apresentou as propostas de
orçamento para este ano, no valor de 2.238 milhões de euros, e do Plano e
Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da
Administração da Região Autónoma da Madeira (PIDDAR) para 2024, no valor
de 975 milhões, mas os documentos não chegaram a ser discutidos, na
sequência da demissão do presidente do executivo regional, Miguel
Albuquerque, que foi constituído arguido num processo que investiga
suspeitas de corrupção. Hoje, questionado
sobre os valores destas novas propostas serem inferiores ao previsto em
janeiro, Rogério Gouveia justificou com o facto de a região ter estado
ao longo dos últimos meses em regime de duodécimos, que “tem
naturalmente impacto naquele que é o valor do Orçamento”.“Porque,
desde logo, há uma menor expectativa de execução de verbas dos fundos
comunitários, nomeadamente do Madeira 20-30, que tinha projetos que em
janeiro contávamos ter já no terreno e, agora que estamos em julho,
infelizmente essa execução de verbas já não vai acontecer em 2024”,
acrescentou o secretário das Finanças do arquipélago.Rogério
Gouveia defendeu que a proposta de Orçamento Regional “é absolutamente
responsável, alinhada com aquele que era o compromisso do Programa de
Governo, que tem já algumas medidas que estavam já incluídas no Programa
que foi aprovado na semana passada, mas que não prescinde de ter uma
sustentabilidade das finanças públicas assegurada, nem prescinde de um
novo desagravamento fiscal que vai ser levado a efeitos já também em
2024”.Interrogado sobre quantas medidas da
oposição foram contempladas na proposta do Orçamento Regional, que será
discutida na Assembleia Legislativa entre 17 e 19 de julho, o
governante disse que foram “várias”, elencando o “aumento do complemento
regional de idosos, a questão da criação do gabinete de integridade e
de prevenção da corrupção e também a previsão da realização de uma
auditoria externa às contas da região”. Já
relativamente a propostas do JPP e do PS, Rogério Gouveia afirmou que
não foram incorporadas pelo executivo minoritário do PSD, uma vez que os
dois partidos “não tiveram disponibilidade ou vontade de se sentar à
mesa com o Governo Regional”.No final de
janeiro, na sequência de uma investigação judicial relacionada com
indícios de corrupção, o presidente do Governo da Madeira, Miguel
Albuquerque, foi constituído arguido e demitiu-se do cargo dias depois.Para
resolver a crise política foram realizadas eleições regionais
antecipadas em 26 de maio, ficando a Assembleia Legislativa Regional
constituída por 19 deputados do PSD, 11 do PS, nove do JPP, quatro do
Chega, dois do CDS-PP, um da IL e um do PAN. O único acordo parlamentar
do PSD foi com o CDS-PP, insuficiente, ainda assim, para a maioria
absoluta.As propostas do Orçamento e do
Plano e Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da
Administração da Região Autónoma da Madeira para 2024 vão ser
apresentadas publicamente às 18:00 de hoje, no salão nobre do Governo
Regional, no Funchal.Em 2023, o Orçamento da Madeira foi de 2.071 milhões de euros e o PIDDAR cifrou-se em 775 milhões de euros.