Governo da Madeira diz que relatório de Balanço Social 2024 tem incorreções
6 de jun. de 2025, 11:41
— Lusa/AO Online
“Conhecido esta
quarta-feira o ‘Relatório de Balanço Social 2024’, assinado por quatro
investigadores da Nova SBE (Bruno P. Carvalho, João Fanha, Miguel
Fonseca e Susana Peralta), importa esclarecer que determinados
indicadores divulgados não correspondem aos valores mais recentes
aferidos pela edição de 2024 do Inquérito às Condições de Vida e
Rendimentos das Famílias, divulgado pelo INE, no início de dezembro de
2024”, lê-se numa nota do gabinete da secretária regional da Inclusão,
Trabalho e Juventude, Paula Margarido.No
documento, o executivo madeirense refere que o “estudo da Nova SBE, cuja
fonte é o Instituto Nacional de Estatística (INE), aponta para a Região
Autónoma da Madeira uma taxa de privação material e social severa de
6,3% em 2023".“Ora, a informação mais
recente, disponibilizada pelo INE, revela que a região apresentou, em
2024, uma taxa de privação material e social severa de 5,4%, que
constitui um mínimo histórico”, lê-se na nota, que realça que, em 2017, a
taxa situava-se em 12,8%, “mais do dobro do que em 2024”.Também
em matéria de coeficiente Gini (medida estatística que analisa as
desigualdades de rendimentos) o estudo hoje divulgado “contém um lapso”,
pois “verifica-se que existe uma troca nos anos de 2022 e 2023”,
argumenta.O Governo Regional adianta que
já alertou os autores do estudo, salientando que “não só o valor da
Região Autónoma da Madeira está trocado, mas, também, os das restantes
regiões e o do país”.“A Madeira regista
neste indicador 31,1% em 2023 e não 32,7%, conforme indica o estudo”,
acrescenta, referindo que a Madeira é “a terceira região com menor
desigualdade de rendimentos, apenas atrás do Centro (29,8%) e do
Alentejo (29,9%), segundo a divisão geográfica correspondente às
Unidades Territoriais para fins Estatísticos - NUTS”.O
executivo insular aponta igualmente que as estatísticas oficiais
resultantes do Inquérito às Condições de Vida e Rendimentos (ICOR 2024)
do INE “demonstram, claramente, que a região, entre 2023 e 2024,
apresentou uma diminuição muito expressiva na taxa de risco de pobreza
ou exclusão social, de mais de cinco pontos percentuais (p.p)”.No
que diz respeito a 2023, a taxa de risco de pobreza na região
(calculada com base na linha de pobreza nacional) “foi de 19,1% e que
corresponde (como no caso da taxa de risco de pobreza ou exclusão
social) ao valor mais baixo de sempre”, sustenta.Em
comparação com 2022, escreve o Governo Regional, este indicador
“representou uma diminuição de 5,7 p.p., e que foi a maior diminuição
entre as regiões portuguesas”, notando que “face à média nacional, em
2017, a diferença era de 10,2 p.p., enquanto em 2023 era já de apenas
2,5 p.p”.“Por outro lado, a taxa de risco
de pobreza com base nas linhas regionais (calculada também pelo INE e
que reflete as diferenças socioeconómicas nas várias regiões) é de 17,0%
na região, estando já muito próxima da média nacional que é de 16,6%”,
reforça.O relatório explica que a taxa de
risco de pobreza (depois de transferências sociais) é a proporção da
população que vive com rendimentos abaixo do limiar de pobreza e que
16,6% das pessoas encontravam-se em risco de pobreza no país, uma
redução de 0,4 pontos percentuais face ao ano anterior. Segundo
o relatório, Portugal tem quase 1,8 milhões de pobres, e a prevalência
de pobreza é maior nas regiões autónomas, onde é também maior a privação
material e social e os valores de desigualdade.“A
taxa de pobreza está quase oito pontos percentuais acima da média
nacional nos Açores, a região com maior taxa de pobreza em Portugal, e
quase três pontos percentuais acima da média nacional na Madeira e na
Península de Setúbal”, indica o documento, ressalvando, no entanto, que a
taxa de pobreza nas regiões autónomas diminuiu entre 2023 e 2024.