Governo da Madeira contesta afirmações do PM sobre construção do novo hospital
21 de set. de 2021, 15:50
— Lusa/AO Online
“O
Governo Regional da Madeira foi surpreendido, ontem, por duas
afirmações do primeiro-ministro, António Costa, numa ação de campanha na
região, enquanto líder do Partido Socialista”, lê-se numa nota
distribuída pelo gabinete do secretário regional das Finanças.Em
causa estão afirmações proferidas por António Costa no bairro da Quinta
Falcão, na freguesia de Santo António, no Funchal, num comício da
coligação “Confiança” (PS, BE, MPT, PDR e PAN), encabeçada pelo atual
presidente do município, Miguel Silva Gouveia, no âmbito da campanha
para as autárquicas de domingo.Segundo
o secretário-geral do PS, a República “já pagou três milhões de euros,
de acordo com as faturas apresentadas” pela região relativas a este
projeto e “viabilizou que a região pudesse contrair um empréstimo de 157
milhões de euros”.“Estas
afirmações não estão corretas. Importa repor a verdade dos factos que
têm sido constantemente veiculados pela República”, salienta a nota da
secretaria regional, sublinhando que “não é verdade que já tenham sido
pagas quaisquer faturas da obra do novo hospital”.De
acordo com a tutela regional, já foram enviadas as faturas
“respeitantes ao pagamento dos dois primeiros autos de medição da obra
em curso, sem que até ao momento tenha tido qualquer resposta ou entrado
qualquer valor nas contas da região”.O
executivo madeirense também refuta as afirmações de António Costa
relativas ao compromisso com o financiamento de 50% da obra do novo
hospital.“Por
diversas vezes, a verdade é que aquilo que foi determinado pelo
Conselho de Ministros é que o Governo da República continua a descontar o
valor da avaliação do Hospital dos Marmeleiros e o do Hospital Dr.
Nélio Mendonça ao valor com que o Estado português vai comparticipar a
obra – tal como expresso na Resolução 132/2018, publicada em Diário da
República em 10 de outubro –, não atingindo sequer 30% de
comparticipação”, sustenta.O
Governo da Madeira diz ainda que “certamente não será ao Governo
Regional que o primeiro-ministro em campanha se estava a referir” quando
falou da “distribuição de abraços, sorrisos e palmadinhas nas costas
pela frente e, por trás, facadas nas costas”.Na
segunda-feira, no comício, o secretário-geral falou de “duplicidade” no
relacionamento entre a República e o Governo da Madeira (PSD/CDS-PP), e
deu como exemplo o processo da construção do novo hospital do Funchal,
referindo que “sempre que uma solução se encontra para um problema, lá
inventam um novo problema para fingir que as soluções não existem”.“A
verdade é esta: é que, neste momento, a República já pagou mais de três
milhões de euros para o hospital do Funchal, de acordo com as faturas
que foram apresentadas”, declarou.O
líder socialista assegurou que o Governo da República “pagará 50% de
tudo o que tiver a pagar e já viabilizou que a região pudesse contrair
um empréstimo 158,7 milhões de euros junto do Banco Europeu para o
Desenvolvimento”.“Sim, a República já o fez”, disse António Costa.