Governo da Madeira acusa República de desprezar setor da Educação e seus profissionais
13 de dez. de 2022, 12:29
— Lusa/AO Online
As
políticas implementadas pelo executivo madeirense (PSD/CDS) resultaram
“no reconhecimento dos profissionais do setor relativamente às suas
condições sociolaborais, sem dúvida as mais justas de um país que parece
desprezar a importância da Educação e o papel decisivo dos seus
profissionais”, disse o secretário da Educação, Ciência e Tecnologia na
Assembleia Legislativa da Madeira.Jorge
Carvalho falava no âmbito do debate na especialidade do Orçamento
Regional (2.071ME) e Plano de Investimentos (775ME) para 2023.As
propostas foram aprovadas na segunda-feira, na generalidade, com os
votos favoráveis da maioria do PSD/CDS, abstenção do JPP e PCP e contra
os dos deputados do PS, o maior partido da oposição (ocupa 19 dos 47
lugares no hemiciclo).O Governo Regional
afetou à secretaria da Educação, Ciência e Tecnologia mais de 448,2 ME
(21,6% do Orçamento), sendo cerca 407 mil euros para as diversas áreas
educativas e mais de 41.400 para investimentos do Plano, mencionou o
governante no parlamento.O responsável
afirmou que o orçamento “assegura a formação integral das crianças e
jovens madeirenses, garantindo que as condições relativas aos recursos
humanos, materiais e apetrechamento condizentes com esse propósito e
colocando à disposição das famílias os instrumentos de justiça social”.Entre
outros aspetos, sublinhou que o OR/2023 vai permitir a “entrada no
quinto dos sete anos previstos para o programa de recuperação integral
do tempo de serviço cumprido pelos professores, mantendo, as condições
laborais dos docentes mais justas de todo o país”O
responsável indicou que “3.550 professores beneficiaram da recuperação
do tempo de serviço” no arquipélago e que 447 docentes contratados foram
vinculados nos últimos seus anos.Jorge
Carvalho salientou que a Região vai continuar a apostar no projeto dos
manuais digitais, que atingirá, no próximo ano, a totalidade dos alunos
matriculados nas escolas públicas entre o 5.º e o 10.º ano, além de
algumas turmas do 11.º.O secretário
adiantou que esta medida vai ser complementada com a disponibilização de
manuais e fichas de estudo a todas as crianças do 1.º ciclo, “passando
assim a cobrir 100%”.Isto representa um
aumento “de 33%, em conjugação com os diversos projetos de transição
digital em curso no setor da Educação e com a elevação dos montantes das
bolsas de estudo”, o que permite “um todo equilibrado e harmonioso, de
largo impacto no orçamento das famílias”, realçou.Pelo
PS, Miguel Brito criticou a “política de propaganda e populismo” do
Governo Regional, afirmando que a política da “Educação está a falhar”.A
socialista Elisa Seixas complementou que o reconhecimento de que 67%
das famílias com alunos no 1.º ciclo a precisarem de ação social,
evidencia que “o modelo do PSD tem sido governar para uma minoria
privilegiada à custa de uma maioria com a corda ao pescoço”.O
JPP, através do deputado Paulo Alves, criticou o “mau planeamento” da
política educativa e as decisões de fusão de escolas na Madeira, tendo o
secretário justificado a sua necessidade com a situação da “falta de
alunos”.O deputado único do PCP admitiu
que a Madeira “teve uma medida positiva” na progressão das carreiras dos
professores, mas, apontou que “continuam a existir medidas injustas”,
sendo a secretaria regional da Educação “a que tem mais trabalhadores
com vínculos temporários”.Por seu turno, o
líder parlamentar do CDS-PP, partido que integra com o PSD a coligação
do Governo Regional, declarou que “existe paz na Educação da Madeira”,
censurando que o arquipélago “tenha ficado mais uma vez de fora do
anúncio da construção de residências universitárias”.