Governo critica atraso e falta de coordenação nos cabos submarinos
19 de jan. de 2023, 16:18
— Lusa
“O Estado
negligenciou, em prazo, a substituição dos cabos submarinos de fibra
ótica”, afirmou o chefe do executivo regional, numa intervenção no
parlamento dos Açores, na cidade da Horta, adiantando que, “além do
atraso”, houve também “esquecimento da coordenação com as regiões
autónomas e com o Governo dos Açores” (PSD/CDS-PP/PPM) neste
investimento.José Manuel Bolieiro alertou
também para a necessidade do executivo liderado pelo socialista António
Costa assegurar que o cabo submarino de fibra ótica que será substituído
tenha “mais qualidade” e que seja, simultaneamente, mais barato.“Não
se admite que, com tecnologia mais avançada, se torne mais difícil e
mais cara a comunicação digital”, insistiu o presidente do governo
açoriano, defendendo igualmente que o cabo submarino que irá atravessar a
região seja acoplado com “sensores” que possam fornecer informação, por
exemplo, sobre a atividade sísmica nas ilhas.O
tema surgiu na sequência de uma declaração política apresentada por Rui
Martins, deputado do CDS-PP, que manifestou preocupação com a qualidade
do sinal nas ligações digitais que estará disponível para os açorianos
com o novo cabo submarino.“É fundamental
que haja redundância na ligação por fibra ótica do arquipélago ao
continente português com, pelo menos, dois pontos de amarração nos
Açores e dois pontos de amarração no território continental”, defendeu o
parlamentar centrista, sublinhando que esta “configuração” evitará que a
região fique “completamente isolada” em termos de comunicações caso
ocorra algum problema.Contudo, a polémica
em torno da ilha à qual ficará ligado o cabo submarino vindo do
continente acabou por marcar o debate parlamentar, com o deputado do
Chega, José Pacheco, a dizer que não quer alimentar “bairrismos”.“Eu
quero que os técnicos digam o que é que é bom e o que é que não é bom.
Os Açores se continuam mergulhados em bairrismos, de ilha contra ilha ou
de zona contra zona, eu começo a defender o cabo submarino para a ilha
do Corvo”, ironizou o parlamentar.A
alegada indefinição sobre se o cabo de fibra ótica que vem do continente
deve ficar ligado à ilha de São Miguel ou à ilha da Terceira suscitou
também preocupações de Carlos Furtado, deputado independente.“Eu,
como micaelense, gosto muito de defender a minha terra, e,
sinceramente, ainda não percebi bem a história da redundância, que só é
assegurada pela ilha Terceira. Podia ser assegurada por Santa Maria ou
por outra ilha qualquer”, insistiu.Pelo
PS, Vasco Cordeiro considerou que nenhuma ilha da região deverá ser
prejudicada no processo que, recordou, tem uma “fortíssima componente
técnica”.“Não deve haver prejuízo de
nenhuma ilha, nem no seu global, nem prejuízo de nenhuma ilha face a
outra ilha”, defendeu o líder parlamentar socialista e antigo presidente
do Governo Regional, acrescentando que, “havendo soluções técnicas que
permitam uma justa e equilibrada composição de interesses”, deve ser
esse o caminho a seguir.Paulo Estêvão,
deputado do PPM, criticou as omissões do anterior executivo regional
socialista sobre a substituição do cabo submarino, considerando
“inaceitável” que o anterior Governo Regional, na altura liderado por
Vasco Cordeiro, não tenha assegurado rapidez e melhores preços nas
futuras comunicações.Paulo Silveira,
deputado do PSD, lembrou que existem ainda hoje “zonas brancas” no
arquipélago dos Açores, como é o caso de Ponta Delgada (ilha das Flores)
ou de Santo Antão (ilha de São Jorge), que continuam a não serem
servidas por comunicações digitais de qualidade, situação que disse
esperar ver resolvida com o novo cabo de fibra ótica.