Governo cria grupo de projeto anel interilhas que tem de concluir trabalho até outubro
13 de ago. de 2024, 15:10
— Lusa/AO Online
"É criado um
grupo de projeto, designado 'Grupo de Projeto Anel Interilhas'
(doravante, Grupo de Projeto), com a missão de proceder ao estudo e à
análise da configuração técnica e financeira mais adequada para a
substituição atempada dos cabos submarinos que asseguram as ligações de
comunicações interilhas e que entraram ao serviço em 1998,
prosseguindo", lê-se no despacho n.º 9169/2024, publicado em Diário da
República.O Governo justifica a criação
deste grupo tendo em conta que "as comunicações eletrónicas entre sete
das nove ilhas dos Açores são atualmente asseguradas por um sistema de
cabos submarinos, o denominado anel interilhas, formado por ligações que
entraram ao serviço em 1998", sendo que as ilhas das Flores e Corvo são
servidas por um cabo submarino mais recente que entrou ao serviço em
2014.Além disso, "este sistema, na sua
componente submarina e equipamentos associados, já atingiu a sua vida
técnica máxima (25 anos), não sendo previsível, porquanto ineficiente,
realizar investimentos adicionais na atualização desta infraestrutura e
que importa prevenir a sua obsolescência e inerente risco acrescido de
falha intempestiva, ultrapassado que está o seu período de vida útil".Refira-se
que "o Governo assumiu o compromisso de formar um grupo de projeto, com
a participação, entre outros, do Governo Regional dos Açores e da
Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), que apresentará conclusões
e orientações, tendo em vista uma decisão a ser tomada ainda durante o
ano de 2024".O grupo de trabalho tem por
objetivos "propor uma solução técnica que permita que a conectividade se
faça de acordo com o melhor estado da arte, quer quanto ao tipo de
cabos, quer quanto à capacidade e velocidade de transmissão de voz e de
dados, quer, ainda, no que diz respeito às medidas de resiliência e
redundância que devem ser implementadas para garantir a continuidade da
prestação de serviços nesta região" e "o modelo de negócio e de
financiamento", podendo sugerir várias opções.Tem
ainda como objetivo "ponderar a possível utilização complementar do
novo anel interilhas em articulação com o novo anel CAM como Plataforma
Atlântica CAM para amarração de cabos submarinos internacionais, em
particular à luz da Agenda Digital da CPLP, promovendo-se, assim, a
conectividade internacional do país, incluindo das Regiões Autónomas dos
Açores e da Madeira, com a presença de serviços de armazenamento de
dados ('data centres', serviços 'cloud'), de novos pontos de presença de
operadores (PoPs) e pontos de permuta de tráfego IP (IXPs).Visa
ainda "ponderar a utilização dos cabos submarinos na interligação
interilhas para suporte de tráfego associado a projetos científicos
(consumidores de grande quantidade de largura de banda), assim como para
deteção sísmica (estudos geofísicos e produção de alertas e avisos de
sismos e tsunamis), eventualmente alargando o âmbito da deteção às áreas
do ambiente, da sismologia e da oceanografia" e propor um calendário
para a renovação do sistema de cabos interilhas.Este
grupo é composto por um representante dos ministros de Estado e das
Finanças, Adjunto e da Coesão Territorial, das Infraestruturas e
Habitação, da Economia, do Governo Regional dos Açores, e da Anacom, a
qual preside ao Grupo de Projeto.Ao todo, o Grupo de Projeto é composto por seis pessoas.Estas
entidades devem indicar os seus respetivos representantes até cinco
dias úteis após a publicação do despacho, devendo o Grupo de Projeto
"concluir os seus trabalhos até 31 de outubro de 2024, com a entrega ao
Governo de um relatório final do qual conste as recomendações relativas à
substituição do anel interilhas, salvo despacho que determine o
prolongamento da sua missão".O despacho produz efeitos a 01 de agosto.