Governo conta com eólica marítima e hidrogénio para a autonomia energética
12 de abr. de 2023, 17:56
— Lusa
Duarte Cordeiro disse que o governo
está a acelerar o processo do licenciamento da produção de energia solar
e de renovação de torres eólicas com maior produtividade, a apoiar a
produção de energia a partir do hidrogénio e a contar com a produção
eólica marítima para atingir 80% de renováveis até 2026.“Portugal
até já conseguiu uma autonomia de 70%, mas sabemos que isso ocorre
sobretudo no outono e inverno, quando há vento e as barragens estão
cheias e a eólica do mar pode garantir a produção durante todo o ano”,
explicou.Duarte Cordeiro falava na
inauguração da central fotovoltaica da empresa cerâmica Revigrés, que
passa a fornecer cerca de 20% da energia consumida por aquela indústria
no seu processo produtivo, num investimento superior a 14 milhões de
euros, apoiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e
financiado em 50% por capitais próprios, como vincou Paula Roque, da
administração da empresa.“A Revigrés é um
exemplo a todos os níveis e já o era antes mesmo do PRR, porque tinha
uma capacidade grande de reaproveitamento dos recursos no seu processo
produtivo”, elogiou o ministro, que momentos antes viu aquela empresa de
Águeda anunciar que tenciona avançar também com uma central de
hidrogénio para depender menos do gás natural.Duarte
Cordeiro aproveitou a visita à Revigrés, onde estava a ser ouvido por
vários industriais, para lembrar que as consequências da guerra da
Ucrânia se fizeram sentir na subida dos preços da energia, que o Governo
procurou amortecer.“Temos tido um
conjunto de mecanismos para reduzir os preços, como o famoso mecanismo
ibérico, o investimento que fizemos de 4,5 mil milhões de euros para
reduzir as tarifas de acesso às redes, que têm permitido no mercado
liberalizado os preços mais baixos dos últimos nove anos e que permitiu
também que o preço da eletricidade no mercado regulado baixasse 3% em
abril, e ainda o mecanismo que adotámos para as empresas que consomem
mais de 10 mil metros cúbicos de gás, que nos tem permitido, desde o
início do ano, reduzir o preço do gás em cerca de 26%”, exemplificou.“Temos
hoje instrumentos que nos garantem que os preços não vão subir muito ao
longo do ano e estamos a fazer as duas coisas: a acelerar a introdução
de energias renováveis que nos permitem ter garantias de preços baixos
no futuro e, ao mesmo tempo, a aplicar um conjunto de instrumentos que
nos permitem conter os preços dos mercados, evitando que sejam afetadas
as famílias e as empresas”, concluiu.