Governo chama sindicatos dos professores para reunião sobre carreiras
14 de nov. de 2017, 13:09
— Lusa/AO online
Na
véspera da greve geral de professores, que os sindicatos acreditam que
poderá ser a maior da década, duas secretárias de Estado recebem esta
tarde representantes da Federação Nacional de Professores (Fenprof) e da
Federação Nacional da Educação (FNE), contaram à Lusa responsáveis
daquelas duas estruturas sindicais.Em
causa está a polémica proposta de não contagem do tempo de serviço
prevista na proposta do Orçamento de Estado para 2018 (OE2018), que será
debatida na quarta-feira no parlamento.“Ontem
à meia-noite ligaram do ministério da Educação a dizer que iríamos
receber uma convocatória de reunião com a secretária de Estado Adjunta,
Alexandra Leitão”, contou à Lusa João Dias da Silva, secretário-geral da
FNE, que será recebido às 17:00.Segundo
Dias da Silva, o motivo da reunião é discutir o descongelamento da
carreira, mas a convocatória “não especifica qual a proposta que vão
apresentar” aos professores.A
FNE não tem grandes expectativas em relação à reunião de hoje, assim
como a Fenprof, que entende que o encontro serve apenas para “criar uma
ilusão”.“Não
temos expectativas nenhumas, porque quem quer negociar seriamente não
marca uma reunião para a tarde da véspera de uma greve. O Governo
sente-se afetado e quer tentar criar uma ilusão, mas nós não a temos”,
disse à Lusa o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.Para
Mário Nogueira, se o Governo estivesse interessado em negociar, teria
marcado a reunião para mais cedo ou, pelo menos, o encontro de hoje
contaria com a presença de um ministro.“A
reunião é com duas secretárias de Estado - Alexandra Leitão (Adjunta) e
a secretária de Estado da Administração e Emprego - que não têm
competências negociais. Só vamos à reunião porque somos pessoas
educadas”, criticou Mário Nogueira, lembrando que a Fenprof começou a
pedir uma reunião a 12 de outubro, quando tomou conhecimento da proposta
do OE2018.A
progressão na carreira dos professores está interrompida há uma década
e, segundo a leitura feita pelos vários sindicatos, a proposta de OE2018
prevê que não seja contabilizado o trabalho realizado entre 31 de
agosto de 2005 e 31 de dezembro de 2007 nem entre janeiro de 2011 e 31
de dezembro de 2018. Os
representantes sindicais percebem o impacto da reposição dos valores
devidos e por isso dizem estar disponíveis para negociar essa reposição
de forma gradual.No
entanto, dizem que nem ministério da Educação nem ministério das
Finanças têm mostrado abertura para o diálogo, o que agrava o
descontentamento dos docentes.Os
professores realizam na quarta-feira uma greve geral e uma concentração
em frente ao parlamento, o que se poderá traduzir em escolas fechadas,
alunos sem aulas e professores na rua.