Governo central afasta cenário de contaminação da água na Base das Lajes
12 de dez. de 2017, 18:53
— Lusa/AO online
A
“monitorização constante” que o Laboratório Nacional de Engenharia
Civil (LNEC) faz demonstra que “não há nenhum limiar de segurança em
matéria de qualidade de água abastecida à Praia da Vitória que tenha
sido violado ou infringido ou superado”, disse hoje no parlamento
Augusto Santos Silva, que foi ouvido na comissão parlamentar de Ambiente
sobre a descontaminação ambiental na base das Lajes, onde os EUA têm
uma base militar.O ministro referiu que esta era a informação do LNEC em setembro deste ano. Quanto
à contaminação dos solos, a Força Aérea norte-americana e o LNEC
identificaram 41 locais para análise, tendo sido identificados quatro
sítios contaminados. “Dois
deles foram entretanto retirados da lista das nossas preocupações
conjuntas, porque as intervenções das autoridades norte-americanas
entretanto realizadas permitiram resolver o problema identificado, de
acordo com a Força Aérea norte-americana e o LNEC. Há dois locais que
suscitam ainda grande preocupação”, explicou.Em
relação a estes dois – conhecidos como 3001 e 5001 -, os
norte-americanos procederam a trabalhos de remoção de hidrocarbonetos
entre 2012 e 2015 e “a partir de certo momento quiseram dar por
concluídos esses trabalhos, porque, do seu ponto de vista, não havia
sinais significativos da continuação de existência desses
hidrocarbonetos”. No
entanto, o LNEC “não deu ainda o acordo a esta avaliação
norte-americana” e está a analisar um novo exame realizado por uma
empresa de consultoria contratada pelos EUA. Santos
Silva referiu depois divergências entre as duas partes em relação a
oito locais identificados: “O LNEC considera que é necessário realizar
medidas adicionais de caracterização e monitorização e/ou obras de
remediação” nestes terrenos, mas as autoridades norte-americanos “dizem
que não”.“A
posição do Governo é criar as condições de contratação do LNEC para que
isso possa ser feito”, afirmou, recordando que a informação que obteve
deste organismo é desta segunda-feira.Portugal
e EUA concordaram que 23 dos 41 locais analisados não motivam “nenhuma
espécie de preocupação, pelo menos por enquanto”. Sobram seis sítios que
os norte-americanos dizem que necessitam de intervenção, que ou está em
curso ou está prevista.Durante
a audição, o debate subiu de tom com as acusações do deputado do PSD
António Ventura, que afirmou que o Governo central “se demitiu da sua
função de proteger as populações, quando não aprova as propostas do PSD,
do Bloco de Esquerda e do CDS que objetivamente falam da
descontaminação”, no âmbito do debate sobre o Orçamento do Estado para
2018.“Há aqui
uma negligência, há aqui efetivamente um Estado criminoso”, disse, com
Santos Silva a responder-lhe: “Algumas das suas forças de expressão
ofendem as pessoas. Não vale a pena, é uma técnica que desqualifica quem
a usa e não quem é atingido”.Também
a social-democrata Berta Cabral – que foi secretária de Estado da
Defesa no anterior Governo - disse que a contaminação dos terrenos se
trata do “maior desastre ambiental dos Açores e do país”, qualificação
criticada pelo ministro.“O
rigor é o nosso melhor aliado para fazermos aquilo que nós precisamos
de fazer, que é trabalhar com a outra parte, sem que a outra parte em
nenhuma vez consiga descartar-se das suas responsabilidades. Acusar os
norte-americanos de um crime ambiental não me parece a melhor maneira de
preparar uma comissão bilateral permanente ou de favorecer a resolução
do problema”, disse o chefe da diplomacia. O
PSD também questionou se o Governo “vai ou não assumir todas as
responsabilidades pelo crime ambiental dos norte-americanos, mas perante
os Açores quem responde é o Governo português, nos termos da Lei das
Finanças das Regiões Autónomas, deve assumir essa responsabilidade”.“Em
última estância, é obrigação do Governo antecipar-se à resolução do
problema, sem prejuízo da responsabilização dos EUA pelo financiamento
de todo o processo de descontaminação. Não deixaremos de exigir esta
solidariedade nacional”, no âmbito da Lei das Finanças Regionais, disse a
socialista Lara Martinho.Em
resposta a outras questões colocadas pela socialista, Santos Silva
anunciou a realização da comissão bilateral permanente entre Portugal e
Estados Unidos na próxima quinta-feira em Lisboa, na qual espera “um
avanço significativo, concreto, quer quanto ao abastecimento no bairro
de Santa Rita quer quanto às infraestruturas”, nomeadamente o complexo
escolar e dois bairros habitacionais.O
deputado do BE João Vasconcelos reclamou uma “posição forte” em relação
aos EUA nesta matéria, enquanto a deputada centrista Patrícia Fonseca
defendeu que “a relação bilateral é essencial”, mas sustentou que “a
ponderação da criação de eventuais compensações no domínio da cooperação
deverá ser feita atendendo aos méritos próprios dessas medidas e não
como contrapartida da situação da ilha Terceira”.