Governo britânico respeita "decisão clara e definitiva” sobre referendo na Escócia
23 de nov. de 2022, 15:15
— Lusa/AO Online
"Respeitamos a
decisão clara e definitiva do Supremo Tribunal do Reino Unido”, afirmou
hoje, durante o debate semanal na Câmara dos Comuns do parlamento
britânico, urgindo o Executivo escocês a concentrar-se nas políticas do
quotidiano. Sunak argumentou que "o povo
da Escócia quer-nos a trabalhar coletivamente para resolver os grandes
desafios que enfrentamos, quer seja a economia, a apoiar o SNS [sistema
de saúde público], ou mesmo a apoiar a Ucrânia”. O
chefe do Governo britânico respondia ao líder parlamentar do Partido
Nacional Escocês (SNP), Ian Blackford, que acusou Sunak de "negar a
democracia ao povo da Escócia”.Desde 2014,
lembrou, o SNP ganhou "oito eleições consecutivas” e desde 2021 que o
parlamento escocês tem "a maior maioria a favor de um referendo à
independência” desde 1999. "O
primeiro-ministro continua a bloquear esse referendo, por isso ao menos
deve ser honesto e confirmar que a ideia de que o Reino Unido é uma
união voluntária de nações está agora morta e enterrada”, desafiou.Sunak,
pelo seu lado, enfatizou que a Escócia "tem uma das mais poderosas
assembleias descentralizadas em qualquer parte do mundo”. O
Tribunal Supremo do Reino Unido decretou hoje que o parlamento regional
escocês não pode legislar a realização de um segundo referendo sobre a
independência da província britânica a pedido do governo autónomo. Numa
sentença lida pelo presidente do tribunal de tribunal de última
instância [equivalente ao Tribunal Constitucional em Portugal], Robert
Reed, disse que "o parlamento escocês não tem o poder de legislar para
um referendo sobre a independência da Escócia".O
coletivo de juízes confirmou por unanimidade que as questões de
soberania estão reservadas ao parlamento de Westminster em Londres, de
acordo com a Lei da autonomia da Escócia de 1998."A
Lei da Escócia confere ao Parlamento escocês poderes limitados. Em
particular, o Parlamento escocês não tem poderes para legislar em
relação a assuntos que estão reservados ao Parlamento do Reino Unido em
Westminster”, explicou Reed.