Governo britânico quer estratégia anti-extremismo após quase 1.300 detenções em motins
3 de set. de 2024, 12:28
— Lusa/AO Online
Segundo a ministra, dos
detidos, mais de 570 foram levadas a tribunal por infrações como
distúrbios violentos, agressões a polícias, fogo posto e incentivo a
ataques violentos pela Internet. Dezenas de acusados foram condenados a penas de prisão, multas e outras penas. "Esta
resposta robusta e rápida do Governo e do sistema de justiça penal
constituiu um forte fator de dissuasão e demonstrou a nossa firme
determinação em manter as pessoas seguras e, o que é mais importante, a
ordem foi restabelecida", afirmou aos deputados, durante uma intervenção
no primeiro dia após as férias parlamentares.Os
distúrbios no Reino Unido foram desencadeados por um ataque mortal com
faca que vitimou três crianças, incluindo uma portuguesa, a 29 de julho,
em Southport (noroeste de Inglaterra).A
polícia deteve o suspeito do ataque, um jovem sobre quem circulavam
rumores nas redes sociais, mais tarde desmentidos, de que seria um
requerente de asilo ou um imigrante muçulmano.Posteriormente, as autoridades esclareceram que o jovem é natural do País de Gales e filho de pais ruandeses.Ainda
assim, nos dias seguintes, e em diferentes partes do país, grupos de
pessoas atacaram lojas, uma biblioteca e um centro comunitário, uma
mesquita e um hotel utilizado como alojamento para asilo foi incendiado
com pessoas no interior em Southport. Algumas pessoas foram ainda alvo de ataques nas ruas por serem imigrantes.Dezenas
de polícias foram feridos pelo arremesso de garrafas e tijolos e no
confronto com os manifestantes anti-imigração, alegadamente instigados
por ativistas da extrema-direita. "Esta
desordem vergonhosa e ódio racista, incluindo o que foi incitado por uma
minoria detestável na Internet, foi um insulto àqueles que estão de
luto por Southport. Portanto, sejamos muito claros: estes ataques
violentos e criminosos não foram protestos. Não se tratou de
reivindicações. Foram actos de violência, racismo e crime", afirmou
Cooper.Além de prometer mais milhares de
agentes de polícia na rua, a ministra ordenou uma revisão rápida da
estratégia de combate ao extremismo, seja islâmico ou de
extrema-direita. Cooper defendeu ainda que
as empresas tecnológicas com redes sociais devem assumir a
"responsabilidade pelo veneno proliferado nas suas plataformas" e que
"conteúdos criminosos na Internet devem resultar em sanções penais".