Governo britânico propõe à UE criação de mercado único de bens pós-Brexit
Hoje 11:24
— Lusa/AO Online
O
jornal The Guardian e a estação televisiva BBC avançaram que Michael
Ellam, a principal autoridade do Reino Unido para as relações com a UE,
apresentou a proposta no decorrer das negociações que precedem a próxima
cimeira bilateral, agendada para julho, embora Bruxelas tenha recebido a
proposta com ceticismo.De acordo com as
mesmas fontes, as autoridades da UE rejeitaram inicialmente a ideia e
defenderam fórmulas já experimentadas, como uma união aduaneira ou a
integração do Reino Unido no Espaço Económico Europeu (EEE),
alternativas que são incompatíveis com as linhas vermelhas estabelecidas
pelo primeiro-ministro Keir Starmer.Desde
que assumiu o cargo, o líder trabalhista reiterou que o Reino Unido não
regressará nem ao mercado único nem à união aduaneira, e também não
aceitará o regresso à livre circulação de pessoas.Fontes
do Governo britânico indicaram, no entanto, que a criação de um mercado
único de mercadorias era apenas uma das várias opções exploradas e
negaram que Bruxelas a tivesse descartado definitivamente.A
proposta britânica de criar um mercado único de bens, sem aceitar a
livre circulação de cidadãos, provavelmente enfrentaria as mesmas
objeções que a então primeira-ministra conservadora, Theresa May,
enfrentou em 2018 durante as negociações do acordo comercial após o
referendo do Brexit.Desde então, Bruxelas
teme que um tratamento preferencial ao Reino Unido possa encorajar as
forças eurocéticas noutros Estados-membros e enfraquecer os princípios
do mercado único.A segunda cimeira
bilateral entre Londres e Bruxelas está prevista para 13 de julho,
embora a data ainda não tenha sido oficialmente confirmada. No
encontro, as duas partes esperam finalizar vários acordos negociados
após a primeira cimeira na capital britânica, ocorrida a 19 de maio de
2025. Entre eles, encontra-se um acordo
veterinário e fitossanitário para reduzir as barreiras comerciais dos
produtos agrícolas e alimentares, a interligação dos mercados de
emissões de carbono e um possível desbloqueio do programa de mobilidade
juvenil.Prosseguem também negociações
sobre a cooperação industrial na área da defesa, o acesso do Reino Unido
ao programa de empréstimos europeus à Ucrânia, a inovação tecnológica e
a coordenação para combater a imigração irregular. Apesar
das linhas vermelhas traçadas, o governo de Starmer tem-se mostrado
determinado a estreitar os laços com a UE, esperando-se que a questão do
Brexit seja colocada em destaque em eventuais futuras eleições internas
para o seu lugar.