Governo britânico mantém-se “em alerta” apesar de “desanuviamento” após motins
13 de ago. de 2024, 11:10
— Lusa/AO Online
“Regozijamo-nos
com o desanuviamento ocorrido no fim de semana”, declarou uma porta-voz
do primeiro-ministro trabalhista, Keir Starmer, para logo acrescentar,
contudo, que “o trabalho [do Governo] não estará concluído enquanto as
pessoas não se sentirem em segurança nas suas comunidades”.“Não
queremos dar-nos por satisfeitos [com este regresso à calma desde há
alguns dias] e continuamos em alerta”, sublinhou a porta-voz à
comunicação social, anunciando que o primeiro-ministro britânico
cancelou as suas férias para assegurar que o Governo responde aos
distúrbios da semana passada no país e também para lidar com a crise no
Médio Oriente.No sábado, milhares de
britânicos participaram em novas manifestações antirracistas em várias
cidades, para condenar a violência xenófoba e islamófoba da semana
anterior no país.Os motins anti-imigração,
os piores registados no Reino Unido desde 2011, ocorreram em várias
cidades de Inglaterra e da Irlanda do Norte, onde grupos de
extrema-direita atiraram garrafas, pedras e latas contra agentes da
autoridade, atacaram mesquitas e incendiaram um hotel que albergava
requerentes de asilo.Foram desencadeados
por um ataque com arma branca que vitimou três raparigas, a 29 de julho,
em Southport (noroeste de Inglaterra), alimentados por rumores nas
redes sociais, entretanto parcialmente desmentidos, sobre a
nacionalidade do suspeito, um adolescente de 17 anos britânico, de
ascendência ruandesa.Os últimos grandes
confrontos entre a polícia e os revoltosos em Inglaterra registaram-se
na segunda-feira passada, atribuindo as autoridades esta acalmia à
resposta judicial muito firme do novo Governo trabalhista, no poder
desde o início de julho no Reino Unido.Hoje,
Downing Street (residência oficial do primeiro-ministro britânico)
congratulou-se com esta “resposta rápida do sistema judicial”, que
permitiu “no espaço de alguns dias deter, indiciar, condenar e
encarcerar criminosos”.No total, mais de
900 detenções, 460 acusações e primeiras condenações a prisão efetiva
para desordeiros e publicações ‘online’ que incitaram à violência
ocorreram nos dias seguintes.Um rapaz de
12 anos tornou-se a pessoa mais nova indiciada por vandalismo, no
seu caso por ter arremessado um objeto a agentes da polícia, noticiou a
estação de televisão pública BBC.O rapaz,
cuja identidade não foi revelada, compareceu num tribunal de menores em
Liverpool e foi libertado sob fiança enquanto aguarda a leitura da
sentença, agendada para 17 de setembro.Quanto
à crise no Médio Oriente, Starmer juntou-se a França e à Alemanha
para instar o Irão e os seus aliados a absterem-se de ataques que
“possam agravar ainda mais as tensões” na região.Num
comunicado conjunto hoje divulgado, Starmer, o Presidente francês,
Emmanuel Macron, e o chanceler alemão, Olaf Scholz, saudaram “o trabalho
incansável” de mediação do Qatar, do Egito e dos Estados Unidos para
alcançar um acordo que conduza a um cessar-fogo e à libertação de reféns
na Faixa de Gaza. As tensões na região
aumentaram no sábado, na sequência do bombardeamento israelita da escola
al-Tabain, na cidade de Gaza, que matou pelo menos 93 palestinianosO
exército israelita alegou ter identificado "até ao momento 31"
combatentes do Hamas e da Jihad Islâmica, dois movimentos armados da
Faixa de Gaza, "eliminados" no ataque de sábado a uma escola que
albergava deslocados, provocando protestos internacionais.O
exército, que no sábado divulgou os nomes e as fotografias de 19 homens
que descreveu como combatentes destes dois movimentos palestinianos,
emitiu um novo comunicado com mais 12 nomes e fotografias.Esta
situação veio somar-se ao assassínio do líder político do movimento
islamita palestiniano Hamas, Ismail Haniyeh, num atentado em Teerão,
cuja responsabilidade Israel não reivindicou nem negou, como acontece
frequentemente em casos que envolvem o Irão.