Governo britânico dilui legislação sobre conteúdos nas redes sociais
29 de nov. de 2022, 12:00
— Lusa/AO Online
A proposta de Lei de Segurança
Online era considerada uma tentativa ambiciosa mas controversa de
combater o racismo, abuso sexual, intimidação ou fraude nas redes
sociais.Mas a ministra da Cultura,
Michelle Donelan, defendeu hoje a decisão de diluir o alcance,
argumentando que as alterações eliminaram o risco de "empresas de
tecnologia ou futuros governos poderem utilizar as leis como uma
desculpa para censurar opiniões legítimas"."Não
é isso que um Governo deve fazer. É confuso. Criaria um tipo diferente
de conjunto de regras entre ‘online' e ‘offline' na esfera legal”,
disse, em entrevista à estação Sky News.Na
forma original, a proposta de lei dava aos reguladores poderes
alargados para sancionar empresas de comunicação social e digital como
Google, Meta (proprietária da Facebook), Twitter e TikTok.A
União Europeia e os Estados Unidos têm propostas semelhantes, mas a do
Reino Unido era considerada mais ousada, o que levou críticos a
expressar preocupação com a obrigação de as plataformas removerem
conteúdos "legais mas prejudiciais”, o que poderia levar à censura e
violar a liberdade de expressão.Na versão
atual, as empresas devem estabelecer e seguir termos claros de
utilização, deixando adultos publicarem e ver conteúdos ofensivos ou
prejudiciais, desde que não seja ilegal. Mas
as plataformas que se comprometerem a proibir conteúdos racistas,
homofóbicos ou outros conteúdos ofensivos e não cumpram a promessa podem
ser multadas em até 10% do seu volume de negócios anual.A
legislação também exige que as empresas ajudem os utilizadores a
evitarem conteúdos que, por exemplo, exacerbem distúrbios alimentares,
misoginia e algumas outras formas de abuso, através de avisos, moderação
de conteúdos ou outros meios.As empresas também terão de mostrar como vão aplicar os limites de idade dos utilizadores. Algumas
atividades, como o envio de imagens explícitas indefesas (cyberflash) e
o envio de imagens intermitentes que podem causar episódios de
epilepsia (trolling epilepsy), passam a ser criminalizadas.A
legislação também torna uma ofensa ajudar ou encorajar a automutilação,
uma medida introduzida após campanha da família de Molly Russell, uma
jovem de 14 anos que se suicidou em 2017 após ter visto vídeos de
automutilação e suicídio em redes sociais.O
pai, Ian Russell, afirmou estar aliviado por finalmente a proposta de
lei poder finalmente avançar, mas disse que é "muito difícil de
compreender" porque é que as proteções contra conteúdos nocivos foram
enfraquecidas.A ministra da Cultura
salientou que os conteúdos "legais mas prejudiciais" só seriam permitido
para adultos, e que as crianças serão mais protegidas."O conteúdo que Molly Russell viu não será permitido como resultado deste projeto de lei", garantiu. O
Governo espera que a mudança seja suficiente para fazer passar a
proposta de lei no Parlamento, onde esteve paralisada durante 18 meses,
até meados de 2023.