Governo britânico determinado apesar de derrota na Câmara dos Lordes
Brexit
10 de nov. de 2020, 12:19
— Lusa/AO Online
A
Câmara dos Lordes votou na noite de segunda-feira para retirar as
cláusulas da Proposta de Lei do Mercado Interno que dão ao Governo o
poder de derrogar secções do acordo negociado pelo primeiro-ministro,
Boris Johnson, com Bruxelas antes de o Reino Unido deixar o bloco em
janeiro.O Governo perdeu ambos as
votações, a primeira por 165 votos contra 433 e a segunda por 148 votos
contra 407, tendo as cláusulas sido removidas do texto, que deverá
voltar à Câmara dos Comuns, a câmara baixa do parlamento, nas próximas
semanas. Os deputados, que aprovaram a
proposta de lei por 340 votos contra 256 em setembro, poderão então
aceitar as emendas ou ignorá-las e restaurar o texto original."Temos
sido consistentemente claros de que as cláusulas representam uma rede
de segurança legal para proteger a integridade do mercado interno do
Reino Unido e os enormes ganhos do processo de paz (da Irlanda do
Norte)", vincou um porta-voz do Governo em comunicado.Londres
reconhece que o projeto de lei viola a lei internacional e a legislação
foi condenada pela UE, o presidente eleito dos EUA, Joe Biden, e vários
deputados britânicos, incluindo muitos do Partido Conservador de Boris
Johnson.A Comissão Europeia iniciou um
processo de infração aberto ao Reino Unido a 01 de outubro e, perante a
ausência de resposta da parte do Governo britânico, disse estar a
“ponderar os próximos passos, incluindo o envio de um parecer
fundamentado”.Os dois lados continuam num
contrarrelógio para concluir um acordo de comércio pós-Brexit que possa
entrar em vigor em 2021, quando cessa o período de transição que mantém o
acesso do Reino Unido ao mercado único europeu. O
negociador-chefe da UE, Michel Barnier, encontra-se desde segunda-feira
em Londres para mais negociações intensivas para resolver as
divergências ao nível do mecanismo de resolução de disputas futuras,
condições de concorrência e acesso dos barcos de pesca europeus às águas
britânicas. Porém, o ministro dos
Negócios Estrangeiros irlandês, Simon Coveney, avisou que, "se o Reino
Unido aprovar uma lei destinada a violar o Direito Internacional, Acordo
de Saída e Protocolo [para a Irlanda do Norte], não haverá acordo
comercial. "A UE não pode ratificar um
novo acordo enquanto o Reino Unido legisla para quebrar um acordo
anterior. A confiança e a boa-fé são importantes”, justificou.