Governo britânico defende novas restrições apesar das críticas
Covid-19
13 de out. de 2020, 15:41
— Lusa/AO Online
O ministro da
Habitação e Comunidades, Robert Jenrick, disse hoje à BBC que o plano do
Governo representa uma “intervenção firme” que teve em conta os
conselhos dos cientistas para conter a crescente transmissão do
coronavírus no país.Porém, acrescentou,
"também temos de equilibrar isso com o efeito sobre a economia, empregos
e meios de subsistência das pessoas, sobre a educação, à qual damos
prioridade, e todas as outras consequências indesejadas”, como o impacto
na saúde mental ou atrasos em intervenções cirúrgicas.A
taxa de desemprego no Reino Unido continuou a subir nos três meses
entre junho e agosto para 4,5% em média, contra 4,1% entre maio e julho,
mas os economistas avisam que o pior ainda está por vir.O
primeiro-ministro, Boris Johnson, revelou o novo sistema primeiro no
parlamento e depois numa conferência de imprensa transmitida pela
televisão, colocando a cidade de Liverpool na categoria de maior risco.Aplicando-se
a áreas onde as taxas de transmissão causam mais preocupação, o nível
de alerta máximo determina o encerramento de ‘pubs' e bares exceto para
servir refeições e proíbe a socialização entre pessoas de agregados
familiares diferentes em espaços interiores e jardins privados. O
segundo nível mais alto reflete muitas das restrições locais atuais em
vigor em partes do norte e centro de Inglaterra, nomeadamente a
interdição de socializar em espaços fechados, mas permite ajuntamentos
de até seis pessoas ao ar livre. O nível
médio, que é também o mais baixo dos três, abrange atualmente a maior
parte do país onde se aplicam as medidas nacionais, nomeadamente o
limite de grupos até seis pessoas em espaços fechados ou abertos, e o
encerramento de bares e restaurantes às 22:00.Estas
últimas restrições foram anunciadas há três semanas, quando os
assessores médicos e científicos do Governo recomendaram medidas mais
duras, incluindo um confinamento de duas a três semanas para funcionar
como “disjuntor” e interromper as taxas de infeção que aumentavam
rapidamente.Um relatório do Grupo de
Aconselhamento Científico para Emergências [SAGE] datado de 21 de
setembro e publicado na segunda-feira à noite sugeria ainda a proibição a
nível nacional de socialização entre núcleos familiares diferentes, o
encerramento de bares, cafés e restaurantes e passar todas as aulas do
ensino superior para a Internet.Porém, das sugestões o primeiro-ministro apenas aceitou a de recomendar o teletrabalho. O
deputado do Partido Trabalhista, Jonathan Ashworth, ministro sombra da
Saúde, qualificou o conteúdo do relatório como “alarmante” e reiterou o
receio do principal partido da oposição de que as novas anunciadas não
sejam suficientes. “O governo agora
precisa explicar com urgência por que ignorou os seus próprios
cientistas e o que vai fazer para retomar o controlo do vírus”, vincou. O
novo sistema de restrições, introduzido para uniformizar e simplificar
os diferentes grupos de restrições em vigor em diferentes localidades
afetadas por taxas elevadas de infeção, vai ser debatido e votado esta
tarde no parlamento.Cerca de 20 deputados
conservadores manifestaram reservas sobre mais restrições, mas seriam
necessários mais para conseguir bloquear a legislação.Uma
sondagem da empresa YouGov indica que 40% dos britânicos considera as
novas medidas insuficientes e só 15% pensam que vão longe demais, mas a
maioria (64%) julga que o Governo não tem um plano claro para combater a
pandemia covid-19.