Governo britânico antecipa plano fiscal para 31 de outubro, um mês antes do previsto
10 de out. de 2022, 10:55
— Lusa/AO Online
O
ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, que tinha previsto fazer a
apresentação do seu plano fiscal apenas em 23 de novembro, fez o anúncio
numa carta tornada pública pelo presidente da Comissão Parlamentar de
Finanças, Mel Stride, que tinha urgido o governo a antecipar a data. "Se
isto for bem recebido pelos mercados [financeiros], a reunião do MPC
[Comité Comité de Política Monetária do Banco de Inglaterra] no dia 03
de novembro pode resultar num menor aumento das taxas de juro. Crítico
para milhões de titulares de créditos à habitação”, vincou Stride. A
nova data vai permitir ao Gabinete de Responsabilidade Orçamental
[Office for Budget Responsibility, OBR], rever as perspetivas económicas
e fiscais após o 'mini-orçamento' de 23 de setembro e finalizar o plano
fiscal do governo, garantiu o ministro. Kwarteng
disse que o OBR poderá neste período "captar lançamentos de dados (…) e
"permitirá a realização de um processo de previsão completo a um nível
que satisfaça os requisitos legais”.Além
de um pacote para congelar os preços da energia para famílias e
empresas, Kwarteng surpreendeu em setembro com cortes fiscais num valor
estimado de 45.000 milhões de libras (51.000 milhões de euros) sem
explicar como pretendia custear estas medidas. O
risco de um grande aumento da dívida pública levou a uma desvalorização
da libra, uma subida dos juros sobre a dívida britânica e incerteza no
setor imobiliário.O Banco de Inglaterra
foi forçado a intervir no mercado obrigacionista, o que ajudou a
estabilizar a libra e a dívida, mas o plano do governo britânico foi
criticado pelo FMI devido ao risco de agravar a inflação, e as agências
Fitch e Standard and Poor's reduziram de estável para negativo o
‘rating’ do Reino Unido. Kwarteng recuou
entretanto da decisão de abolir o escalão máximo de 45% do imposto sobre
os rendimentos dos contribuintes mais ricos, poupando 2.000 milhões de
libras (2.300 milhões de euros) e está sob pressão do próprio partido
para atualizar os subsídios sociais de acordo com a taxa de inflação. O
OBR, um organismo independente, tinha avisado em julho que o
envelhecimento populacional e crises financeira, energética e pandémica
arriscavam colocar as finanças públicas numa “trajetória
insustentável”. Nas previsões de março, as
últimas oficiais, o OBR já tinha revisto em baixa o crescimento em 2022
para 3,8% e a taxa de inflação em alta, para 8,7%, mas o Banco de
Inglaterra anteviu entretanto que a economia deverá contrair no último
trimestre e a inflação disparar para 13%.