Governo britânico acaba com isolamento obrigatório na quinta-feira
Covid-19
21 de fev. de 2022, 17:53
— Lusa/AO Online
O
primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou também no
Parlamento o fim dos auto testes antigénio gratuitos a 01 de abril, cujo
custo ascendeu a 2.000 milhões de libras (2.400 milhões de euros) em
janeiro. As medidas deveriam caducar
dentro de um mês, a 24 de março, mas o Executivo britânico decidiu
antecipar a data e avançar com o que apelidou de estratégia “aprender a
viver com a Covid", substituindo a intervenção do Governo pela
responsabilidade pessoal individual. "Não
precisamos de leis para obrigar as pessoas a serem atenciosas com os
outros. Podemos confiar nesse senso de responsabilidade de uns para com
os outros, fornecendo recomendações práticas sabendo que as pessoas as
seguirão para evitar infetar entes queridos e outros”, argumentou.Assim,
as pessoas vão continuar a ser aconselhadas a testarem e a cumprirem
auto-isolamento, bem como a usar máscaras em espaços fechados ou com
muitas pessoas, de forma opcional. Porém, o
líder do Partido Trabalhista, a principal força da oposição, Keir
Starmer, criticou Johnson por acabar com os testes gratuitos e outras
medidas, pedindo mais dados que fundamentaram esta estratégia.“Quando
se está a ganhar 2-1 a 10 minutos do final [do jogo], não se deve
substituir um de seus melhores defesas”, afirmou, usando uma metáfora
futebolística. O Executivo britânico
reconhece que a pandemia não terminou, e que continua a existir
incerteza sobre o que vai acontecer, pelo que mantém uma “abordagem
cautelosa" à medida que o Reino Unido aprende a viver com a Covid. Alguns
sistemas de vigilância e planos de contingência continuarão, para
responder ao aparecimento de novas variantes do vírus, mas o pilar
principal do combate à Covid-19 vai ser o programa de vacinação,
medicamentos antivirais e a imunidade da população. Para
o chefe do Governo, este é um “momento de orgulho”, pois o Reino Unido é
um dos primeiros países a remover as medidas de contenção introduzidas
há dois anos, colocando-o “um passo mais perto do regresso à
normalidade”.Porém, o tom triunfante do
anúncio está a ser ensombrado pela notícia de que a Rainha Isabel II, de
95 aos, testou positivo, evidenciando a vulnerabilidade que muitas
pessoas continuam a ter perante a doença. Ainda
assim, o Palácio de Buckingham reiterou que a monarca tem apenas
“sintomas ligeiros tipo gripe” e que pretende desempenhar algumas das
suas “tarefas ligeiras" esta semana. Tendo
em atenção o risco agravado dos mais idosos, o Governo também anunciou
hoje que, a partir da primavera, pessoas com mais de 75 anos, residentes
em lares e imunocomprometidas com mais de 12 anos poderão receber uma
quarta dose.O plano aplica-se apenas a
Inglaterra, pois Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte decidem as
próprias regras em matéria de saúde.Atualmente,
pessoas positivas ou assintomáticas têm de se isolar até 10 dias, mas
se estiverem vacinadas podem sair ao fim de cinco dias se testarem duas
vezes negativo. Um estudo do Grupo de
Aconselhamento Científico para Emergências (SAGE) estimou que o contágio
pode aumentar entre 25% e 80% se as pessoas se comportarem como faziam
antes da pandemia e sem outras medidas. Perante
o risco de aumento rápido dos casos que podem afetar serviços públicos,
incluindo os hospitais, cientistas e profissionais de saúde defenderam
manter algumas medidas, como os testes gratuitos. Lembrando
que o número de mortes continua alto, acima de uma centena diariamente,
o presidente da Associação Médica Britânica, Chaand Nagpaul, disse à
BBC que a decisão do Governo é “estranha” e que não há motivos para
aliviar as restrições, preferindo esperar por uma redução do número de
casos.O Governo do País de Gales também
considerou "prematura e imprudente” a redução do programa de testes, que
um porta-voz disse desempenhar "um papel fundamental na quebra das
cadeias de transmissão do Covid" e ser "uma poderosa ferramenta de
vigilância”.Mas o professor de medicina da
Universidade de Oxford, John Bell, que esteve envolvido no
desenvolvimento da vacina da AstraZeneca, é mais otimista e argumentou
que o risco da doença diminuiu substancialmente nos últimos meses. "Podíamos
fazê-lo [levantar as restrições] daqui a um mês ou dois, mas a pergunta
é: quando é que se deve fazê-lo? Penso que não é uma má altura para
começar”, afirmou à BBC.Os partidos da
oposição alegam que este anúncio pretende desviar as atenções do
“Partygate”, o escândalo das “festas” realizadas na residência oficial
do primeiro-ministro, em Downing Street, em 2020 e 2021, desrespeitando
as restrições para controlar a pandemia. Um relatório da Polícia Metropolitana sobre o escândalo é esperado nas próximas semanas.Uma
análise de várias sondagens realizada pelo site Britain Elects indica
que 54% dos eleitores estão descontentes com Boris Johnson e só 27,3%
estão satisfeitos, enquanto os restantes estão indecisos. Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte adotaram estratégias diferentes de Inglaterra ao longo da pandemia.Na
Irlanda do Norte, as restrições legais foram substituídas na semana
passada por recomendações, como o uso de máscaras em alguns espaços
públicos.Na Escócia e no País de Gales, a
obrigatoriedade de isolamento continua em vigor, bem como o uso de
máscaras nos transportes públicos, lojas, cafés e restaurantes, escolas
secundárias e hospitais, e os alunos do ensino secundário têm de fazer
testes várias vezes por semana.