Governo assegura que "não há nenhuma" alteração de alerta sobre ataques terroristas
17 de out. de 2022, 13:55
— Lusa/AO Online
“Só
as autoridades francesas o poderão dizer, mas não há nenhuma alteração
do alerta de ameaça terrorista no quadro do espaço Shengen”, afirmou
José Luís Carneiro.O governante, que
falava aos jornalistas em Badajoz (Espanha), após uma reunião com o
ministro do Interior de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, no Centro de
Cooperação Policial e Aduaneira (CCPA) do Caia/Badajoz, disse ainda que
“não há razões” para Portugal também fechar as suas fronteiras devido
aos fluxos migratórios.“Não há razões para
ponderar essa possibilidade no quadro de Portugal. Convém que todos
tenham consciência que há um conjunto de países que vivem na fronteira e
nas proximidades da fronteira com a Ucrânia, nomeadamente no Balcãs
Ocidentais, que se traduz numa exigência muito forte de pedidos de
asilo”, explicou. “Está a haver
dificuldades em corresponder a esses pedidos em tamanha intensidade e,
naturalmente, é compreensível que os estados que vivem nessas fronteiras
e próximo dessas fronteiras, procurem a adotar soluções que, digamos,
permitam regular esses fluxos”, acrescentou.O
jornal Correio da Manhã noticia que chegou ao Ministério dos
Negócios Estrangeiros, no inicio deste mês, um alerta do governo francês
a avisar que aquele país vai renunciar ao acordo de Shengen e
reintroduzir os controlos fronteiriços devido a alerta terrorista.“A
França desde 2015 tem vindo por esta altura a repor, por razões
circunscritas e previstas no Código Shengen, alguns controlos
fronteiriços, portanto trata-se de uma prática que vem desde 2015”,
recordou o ministro da Administração Interna.O
governante lembrou ainda que no decurso da pandemia de covid-19, foi
também reposta a fronteira terrestre, nomeadamente entre Portugal e
Espanha, para “garantir” o controlo dos fluxos terrestres.“Provavelmente,
quando ocorrer o Encontro Mundial da Juventude [Jornada Mundial da
Juventude], em Lisboa, no próximo ano, será necessário por razões
circunscritas e determinadas no tempo podermos também repor essas
fronteiras”, alertou. José Luís Carneiro
disse ainda que no entender de Portugal esta tomada de posição da França
tem a ver com o que se “tem vindo a passar”, nomeadamente com os fluxos
migratórios, “muito particularmente provocados” pelas circunstancias da
guerra na Ucrânia.No decorrer do encontro
com o ministro do Interior de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, no
CCPA do Caia/Badajoz, José Luis Carneiro disse que foi feita uma
avaliação do trabalho entre as autoridades dos dois países, tendo
sublinhado que é “reconhecido” os seus resultados, na área da troca de
informação e cooperação, bem como em ações de policiamento partilhadas.Durante
o encontro foi também feita uma “abordagem integrada” de preparação
para a Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa, existindo o “interesse”
de cooperar na preparação do evento, garantido “condições de mobilidade,
acolhimento e de integração” aos jovens.Fernando
Grande-Marlaska disse por sua vez aos jornalistas que Espanha está
disposta a continuar a cooperar e a desenvolver projetos no âmbito da
segurança com Portugal, sublinhando ainda que é “importante” manter os
encontros com as autoridades portuguesas, sendo um “exemplo” o CCPA do
Caia/Badajoz.