Governo assegura já ter adotado grande parte das recomendações
Apagão
Hoje 10:50
— Lusa/AO Online
“A
maior parte destas são princípios de boa governação, que sempre usámos.
Este [relatório] é aplicado a um dos sistemas elétricos mais complexos
que temos. Como qualquer sistema complexo de engenharia, requer uma
grande análise técnica e científica na base das decisões”, afirmou a
ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em Lisboa, na
apresentação do relatório produzido pelo Grupo de Acompanhamento Técnico
(GAT). Na sequência do apagão de 28 de
abril de 2025, foi criado pelo Governo o GAT, que é formado por 10
especialistas e académicos na área da energia, que analisaram e
compilaram propostas para aumentar a resiliência do sistema elétrico. A
governante sublinhou que a base de decisão política assenta na
componente científica e técnica, mas também em princípios éticos e
constrangimentos orçamentais. “É desta
equação que sai a nossa decisão. Isto vem em linha com as decisões que
aplicamos”, acrescentou a ministra, notando que não existe um calendário
para a aplicação das recomendações hoje apresentadas porque é preciso
seguir esta linha.O Grupo de
Aconselhamento Técnico (GAT) concluiu que o sistema elétrico nacional
apresenta níveis de segurança e robustez consideráveis, mas defendeu ser
necessário investimento e inovação perante um contexto que é complexo. “O
sistema elétrico nacional apresenta atualmente níveis de segurança e
robustez consideráveis. Não obstante, é fundamental continuar a promover
investimento, desenvolvimento e inovação a vários níveis, face a um
contexto de setor mais descentralizado, integrado e complexo”, apontou,
no relatório hoje divulgado.O GAT
estruturou o seu trabalho em cinco domínios críticos de atuação, que
cobrem as principais dimensões do sistema elétrico nacional,
nomeadamente governança e regulação, modelo de planeamento, arquitetura
do sistema, requisitos de geração e componentes da rede, digitalização e
monitorização, soluções de mercado e serviços de sistema.Os
especialistas concluíram que a governação e regulação foram concebidas
para um sistema elétrico “centralizado e pouco digital”, sendo agora
importante preparar o futuro num contexto de descentralização e
digitalização, mas também de independência, sobretudo a nível ibérico,
mas também europeu. Do GAT fazem parte Ana
Estanqueiro, António Vidigal, Clara Gouveia, Hugo Carvalho, João Peças
Lopes, Jorge Sousa, Jorge Vasconcelos, Pedro Carvalho, Pedro Sampaio
Nunes e Vítor Santos.