Governo aprova decreto-lei para aumentar juizos especializados
24 de jan. de 2019, 17:32
— Lusa/AO Online
Em
conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros,
em Lisboa, Francisca Van Dunem disse que a reforma visou “aumentar o
número de tribunais especializados” e “aumentar o número de juízos
especializados” nos locais “onde se percebeu que a oferta era
manifestamente insuficiente”. A
título de exemplo, a ministra destacou a comarca dos Açores, onde
“havia apenas um tribunal de família e menores e um tribunal do
trabalho, sediados em S. Miguel” e será agora criado um segundo polo, na
ilha Terceira, com sede na Praia da Vitória, com competência mista em
matéria de família e menores e de trabalho. O
decreto-lei cria juízos de comércio em “várias circunscrições onde se
percebeu que as questões relacionadas com o mundo empresarial e as
necessidades das empresas o justificavam”, disse.Por
outro lado, “criou-se também juízos de instrução criminal”,
acrescentou, dando como exemplo os municípios da Amadora e do Seixal em
que “havia uma procura bastante grande”. “Eram
municípios onde havia departamentos de investigação e ação penal, o que
significa que o Ministério Público dirigia o inquérito a partir desses
departamentos, mas sempre que era necessário a intervenção do juiz de
instrução os processos tinham que circular para os polos centrais”,
justificou.Segundo
Francisca Van Dunem, dois juízos, Paredes de Coura e Soure, passaram a
“juízos de competência genérica”, não se limitando a “matéria cívica ou
criminal” e que vão julgar “todo o tipo de causas”. As
alterações foram hoje aprovadas depois de reunirem “o máximo consenso
possível”, disse a ministra, referindo que “foi articulado com os
conselhos superiores das magistraturas, com os órgãos de gestão das
comarcas e também muito trabalho com as autarquias”. Segundo
o comunicado do Conselho de Ministros, o decreto-lei “estabelece o
reforço” dos quadros de juízes e magistrados do Ministério Público,
“tendo em conta a criação de novos juízos e do desdobramento dos já
existentes”. A
ministra da Justiça disse que as alterações “resultam da avaliação
feita logo à época [2016] e da qual se extraiu a necessidade de uma
outra intervenção para mais adequação entre a oferta especializada dos
tribunais e condições socioeconómicas e populacionais do país”. O
decreto-lei constitui, acrescentou, o “segundo passo” da “intervenção
corretiva” que o Governo decidiu em 2016 na sequência de uma avaliação
ao mapa judiciário e que “se traduziu basicamente na reabertura de todos
os tribunais encerrados” e na “possibilidade de serem realizados
julgamentos em matéria penal desde que ao crime correspondesse uma pena
até cinco anos”. Uma
nota informativa do Ministério da Justiça salienta que o "reforço da
especialização" concretiza-se através da criação de juízos em matéria de
comércio, família e menores, do trabalho, de instrução criminal e de
execução, verificando-se ainda o desdobramento de atuais juízos de
competência genérica em juízos especializados.Desta
forma, passa a existir o Juízo Misto de Família e Menores e do Trabalho
da Praia da Vitória (Açores), Juízo de Família e Menores da Maia, Juízo
de Comércio de Lagoa, Juízo de Comércio de Viana do Castelo, Juízo de
Comércio de Vila Real, Juízo do Trabalho de Almada, Juízo de Instrução
Criminal do Seixal, Juízo de Instrução Criminal da Amadora, Juízo de
Pequena Criminalidade de Cascais, Juízo de Execução de Valongo, Juízo
Local Cível e Juízo Local Criminal de Santa Cruz, Juízo Local Cível de
Vila do Conde e Juízo Local Criminal de Póvoa de Varzim (agregação com o
Juízo Local Criminal de Vila do Conde).São
ainda criados o Juízo Local Cível e Juízo Local Criminal de Grândola
(agregação com Santiago do Cacém), Juízo Local Cível e Juízo Local
Criminal de Santiago do Cacém (agregação com Grândola), Juízo Local
Cível, Juízo Local Criminal de Ponte de Lima, Juízo Local Criminal de
Arcos de Valdevez (agregação com Ponte da Barca) e Juízo Local Cível e
Juízo Local Criminal de Peso da Régua.Quanto
à proximidade das populações à justiça, o Ministério dirigido por
Francisca Van Dunem refere que "as soluções passam pela criação de novos
juízos de competência genérica (Paredes de Coura e Soure - tribunais
encerrados com a implementação da reforma judiciária de 2014), pela
devolução da matéria de família e menores ao Juízo de Competência
Genérica de Oliveira de Frades, bem como pela alteração da área de
competência territorial dos juízos de proximidade de Arraiolos, São
Vicente e Golegã, para efeitos da realização de julgamentos criminais da
competência de juiz singular). Relativamente
à adequação dos quadros de juízes e magistrados do Ministério Público, o
diploma hoje aprovado implica - de acordo com o MJ - o reforço dos
mesmos, em virtude da criação de novos juízos e do desdobramento da
oferta já instalada. "Sublinha-se
que o aumento do número de magistrados se situa, a nível nacional, em
mais 102 lugares – 57 lugares de juiz e 45 lugares de magistrado do
Ministério Público (acauteladas as preferências no provimento dos
lugares de juízes e de magistrados do Ministério Público, podendo estas
ser exercidas nos dois movimentos judiciais subsequentes à entrada em
vigor das alterações)", conclui o MJ..