Governo aprova acordo comercial com o Canadá sem apoio dos parceiros
20 de set. de 2017, 12:59
— Lusa/AO Online
A
proposta de resolução do Governo foi hoje aprovada, em sessão plenária,
com os votos a favor do PSD e CDS-PP e os votos contra do Bloco de
Esquerda (BE), PCP, PEV e PAN, partidos que apresentaram projetos de
resolução pela rejeição do CETA - que foram chumbados. Já na
segunda-feira, num debate no plenário sobre a retificação do CETA, PCP,
'Os Verdes' e BE reiteraram a sua oposição em relação ao acordo pela
forma como foi negociado e também quanto aos impactos nos produtos e
trabalhadores portugueses. Pelo PEV, o deputado José Luís
Ferreira criticou a "forma secreta e pouco transparente" como o acordo
foi negociado, e que terá "implicações para o país". O BE
lamentou que não se conheçam estudos do impacto do acordo em Portugal e
defendeu que "se se quer ser responsável, só há a opção de vetar o CETA"
e o PCP considerou que o acordo vai "nivelar por baixo os salários e
condições de trabalho". Também o PAN (Partido Pessoas, Animais,
Natureza) criticou que o tratado tenha sido "negociado a portas
fechadas" e apontou o dedo aos partidos que pretendem aprovar a
ratificação do acordo: "PS, PSD e CDS decidem penhorar milhares de
empregos de classes baixas e médias a uma elite empresarial
multinacional", afirmou o deputado André Silva. Por sua vez, o
PSD considerou que este acordo "efetiva a cooperação política e
económica" entre Portugal e o Canadá e criticou a "visão passadista" dos
parceiros parlamentares do Governo (PCP, PEV e BE). Também o
CDS-PP considerou que este é um acordo de "enorme importância para
Portugal", numa altura que existe uma "onda populista, protecionista e
contra a regulação da globalização" na União Europeia, considerando que
PCP, BE, PEV e PAN são "representantes dessa onda" em Portugal.
Já a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, Ana Paula Zacarias,
defendeu então que o CETA cria "oportunidades económicas importantes e
emprego" e considerou que ao longo das negociações foi possível
salvaguardar os interesses portugueses, admitindo ainda assim que ele
deve ser "acompanhado de perto", com ações que permitam às pequenas e
médias empresas "usufruir de benefícios concretos". "Nós
entendemos que este é um acordo dinâmico. E, com franqueza, se não
conseguirmos fazer um acordo com Canadá com quem poderemos negociar no
futuro?", indagou Ana Paula Zacarias. O tratado CETA é o
primeiro acordo económico da UE após o Tratado de Lisboa a incluir um
capítulo inteiramente dedicado aos investimentos, reduz as taxas
aduaneiras para um grande número de produtos e uniformiza normas para
favorecer intercâmbios e para mudar profundamente as relações comerciais
entre o Canadá e a UE. Segundo dados da Comissão Europeia, no
que respeita a produtos agroalimentares, o CETA entre a UE e o Canadá
prevê uma redução de 90,9% das taxas aduaneiras canadianas, o que
facilitará as exportações de vinho (que em 2015 chegaram aos 54 milhões
de euros) e queijo (1,6 milhões de euros em 2015). As exportações
de bens não agroalimentares portugueses para o Canadá – que atingiram,
em 2015, os 358 milhões de euros – passarão a beneficiar da eliminação
de 99% das taxas alfandegárias. Também a circulação de serviços entre os dois países será facilitada com o CETA. O acordo só entra em vigor de forma definitiva e completa quando todos os Estados-membros da UE o tiverem ratificado.