Governo apresenta plano de recuperação a Bruxelas em outubro
Covid-19
21 de jul. de 2020, 10:40
— Lusa/AO Online
"A resposta à crise e a aplicação
destes recursos exige, nos termos que estão acordados, a apresentação
por Portugal de um plano de recuperação, cujo primeiro esboço deve ser
apresentado à Comissão Europeia em outubro deste ano", disse Siza Vieira
no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, na abertura da sessão de
apresentação pública do documento "Visão Estratégica para o Plano de
Recuperação 2020/2030", do professor universitário António Costa Silva.Siza
Vieira defendeu que a Europa "deu uma resposta diferente, desta vez, à
crise" e considerou que o acordo alcançado esta madrugada é "um acordo
absolutamente inédito na história da União Europeia", um pacote
financeiro de 1,8 biliões de euros para o próximo quadro financeiro
plurianual, dos quais 750 mil milhões para a retoma, "a executar nos
próximos seis anos e a decidir nos próximos três".Para
o ministro, o acordo sobre a emissão de dívida a 30 anos "significa um
sinal e uma confiança na permanência da UE e nos compromissos que agora
estabelece, na reconstrução do mercado interno" e é "um sinal de
confiança nas instituições europeias, nos agentes económicos e nos
cidadãos europeus"."Para Portugal teremos
até 2027 disponíveis 45 mil milhões de euros para o período que se
segue, dos quais 15,3 mil milhões em subvenções para o período que vai
entre 2021 e 2026" ao que acrescem "empréstimos no montante de 10 mil
milhões de euros a que o país poderá recorrer para apoiar as empresas",
afirmou Siza Vieira. De acordo com o
ministro de Estado e da Economia, ficou também decidido "um envelope
suplementar de 300 milhões de euros para financiar um programa
específico de apoio à região do Algarve, particularmente afetada
economicamente" pela pandemia de covid-19. Siza
Vieira considerou que "é um sinal positivo e é uma obrigação de todos
aplicarmos bem estes recursos em investimentos reprodutivos que sirvam o
futuro do país e dos cidadãos portugueses" e acrescentou que o fundo de
recuperação "não deve ser apenas um estímulo económico imediato".O
plano de recuperação que Portugal irá apresentar à Comissão Europeia em
outubro, "se não é só estímulo, mas reforço dessas fundações, deve por
isso estar norteado por uma reflexão conjunta sobre o país que queremos
ser" até final da década, disse o ministro.O
governante disse ainda que a resposta a esta crise é "diferente" da da
crise financeira ocorrida há uns anos, que teve um impacto "agravado"
pelas políticas então tomadas, e exige "a capacitação do Estado e o
reforço dos serviços públicos, o apoio às empresas e à sua
competitividade, o reforço dos rendimentos dos portugueses", pelo que "a
resposta tem de partir de uma reflexão" sobre o país.Essa
reflexão terá em conta o plano de recuperação desenhado por António
Costa Silva, que segundo Siza Vieira, "foi um exercício livre e não
condicionado" que ajudará a "consolidar ideias" e servirá de base para o
plano de recuperação a apresentar a Bruxelas.