Governo aplica salário mínimo no Estado e aumenta em 10 euros escalão seguinte
4 de jan. de 2021, 15:48
— Lusa/AO Online
Após
a ronda de reuniões que se realizou durante a manhã com o secretário de
Estado da Administração Pública, José Couto, as três grandes estruturas
sindicais que representam os funcionários públicos nas negociações
foram unânimes em considerar que a proposta do Governo é insuficiente,
por deixar a maioria dos trabalhadores sem qualquer atualização
remuneratória, dado que se limita praticamente a aplicar o valor do novo
salário mínimo nacional (SMN). O SMN passou de 635 euros para 665 euros em 01 de janeiro de 2021 e todos os empregadores são obrigados a respeitá-lo.Nesse
sentido, Jorge Couto apresentou aos sindicatos uma proposta para
alterar a remuneração mais baixa da função pública dos atuais 645 euros
para 665 euros, ou seja, mais 20 euros. No
âmbito da mesma proposta, o escalão remuneratório seguinte passará de
693 euros para 703 euros, e os restante ficam inalterados. "Nós
não concordamos com esta proposta e reafirmamos a necessidade de
aumentos salariais para todos, assim como da revisão da Tabela
Remuneratória Única (TRU)", disse à agência Lusa Sebastião Santana,
coordenador da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública.O
sindicalista lembrou que a sucessiva falta de aumentos salariais levou a
que as primeiras posições remuneratórias fossem sendo absorvidas por
efeito da aplicação do valor do SMN.Segundo
Sebastião Santana, isto fez com que os trabalhadores que estavam
distribuídos pelos quatros primeiros escalações estejam a ganhar todos o
mesmo, independentemente da antiguidade, posição na carreira ou
funções, "o que não é justo".Para Maria
Helena Rodrigues, presidente do Sindicato dos Quadros e Técnicos do
Estado (STE), que lidera a Frente Sindical, a reunião de hoje não serviu
para nada, porque o Governo apenas está a cumprir a lei, aplicando o
novo SMN."O Governo não apresentou nada de
novo, limitou-se a apresentar uma portaria idêntica à do ano passado,
para aplicar o SMN, mas está completamente a subverter a TRU, cuja
primeira posição teria de ser igual ao salário mínimo, mas, com a
prática seguida, este valor já está na quinta posição remuneratória",
disse a sindicalista.Para a presidente do
STE, a proposta do Governo nem sequer pode contribuir para a recuperação
económica do país, porque os funcionários públicos não vão ter
capacidade para incrementar o consumo nem poupar."Ninguém
ganha nada com isto, como é que o Governo pretende recuperar a economia
em 2021 se os trabalhadores não têm salários para aumentar o consumo ou
a poupança. Para o STE isto é zero e não é notícia", disse, lamentando
que o Governo nem sequer tenha querido dar um sinal, aumentando o
subsídio de refeição, que é de 4,77 euros diários. Uma
nova reunião entre o Governo e as estruturas sindicais que representam
os trabalhadores da Administração Pública está agenda para a próxima
quarta-feira.