Governo anuncia criação de plano nacional de saúde mental no ensino superior
22 de mar. de 2023, 11:27
— Lusa/AO Online
“Nós estamos muito atentos àquilo que são as múltiplas queixas que as
gerações mais jovens, incluindo os estudantes de ensino superior, têm
feito em relação a um certo sofrimento relacionado com a saúde mental
que terá sido muito agravado pelo contexto da pandemia” e pelo
isolamento a que obrigou e que “é percecionado pelos jovens de forma
ainda mais violenta”, afirmou Manuel Pizarro aos jornalistas.
O ministro falava à margem do I Encontro “Pausa Para a Saúde Mental:
Uma reflexão no Ensino Superior” que está a decorrer na Faculdade de
Medicina da Universidade de Lisboa. O
governante sublinhou que a situação também foi agravada por se ter
“saído da pandemia para um mundo marcado pela instabilidade causada pela
guerra, uma guerra violenta originada pela invasão da Rússia na Ucrânia
como todas as suas consequências sociais, económicas, políticas”.
“A verdade é que há um agravamento das queixas no domínio da saúde
mental entre os mais jovens e também um aspeto que se pode dizer, enfim
positivo, que é o facto de haver menos estigmas. As gerações mais jovens
verbalizam mais esta queixa do que era habitual na sociedade portuguesa
e esse aspeto, apesar de tudo, é um aspeto que nós relevamos como algo
de importante”, declarou. Manuel
Pizarro defendeu que as queixas dos jovens precisam de “uma resposta
articulada”, que não seja apenas do sistema de saúde. "Embora o sistema
de saúde tenha o seu papel nesta resposta, tem que haver uma resposta na
comunidade”. “Muitas destas queixas
são, felizmente, queixas de menor gravidade clínica e têm de ser
tratadas com proximidade, com solidariedade e o que nós entendemos é que
era muito útil que, entre as instituições de ensino superior, e o
ministério que tutela o Ensino Superior, o Ministério da Saúde e o SNS,
com o envolvimento dos próprios jovens e das suas associações, fosse
criado um plano global de intervenção para os problemas da saúde mental
no ensino superior”, dando “uma maior expressão às múltiplas iniciativas
que as universidades e o SNS já tomaram de ‘per si”, avançou.
Na sua intervenção no encontro, o secretário de Estado do Ensino
Superior, Pedro Nuno Teixeira, adiantou que foi recentemente criado um
grupo técnico conjunto a quem foi pedido um conjunto de orientações,
recomendações e indicações para a criação do plano e para identificar “a
forma mais eficaz de atuar nesta área”.
“Pedimos alguma urgência para que nos entregassem os resultados até
maio, junho, para que possamos avançar rapidamente”, disse Pedro Nuno
Teixeira. Presente na sessão de
abertura do encontro, o diretor clínico do Centro Hospitalar
Universitário Lisboa Norte, Rui Tato Marinho, afirmou que a sua
principal preocupação neste momento é a saúde mental dos profissionais
de saúde e dos alunos. “Os doentes
existem, os utentes existem, são cada vez mais, cada vez mais complexos.
Agora se eu não tiver profissionais de saúde com bem-estar, com as
vidas equilibradas, com segurança psicológica vai ser muito difícil
assegurar um sistema de saúde público e privado em condições e com
qualidade. Por isso, a minha principal preocupação é dar instrumentos de
segurança psicológica aos vários profissionais de saúde”, sublinhou Rui
Tato Marinho.