Governo anuncia criação de grupo de trabalho para analisar votação dos emigrantes
20 de dez. de 2019, 18:30
— Lusa/AO Online
Este grupo de
trabalho, cuja criação "está em curso", terá como missão "analisar o
relatório que caracteriza o modo como decorreu a votação para a
Assembleia da República no estrangeiro e propor alterações e
ajustamentos, para que o processo possa ser mais simples e funcional
para os cidadãos da diáspora".A informação
consta na mensagem de Natal e Ano Novo dirigida aos portugueses e
lusodescendentes que compõem a diáspora portuguesa, divulgada hpje pelo
gabinete da secretária de Estado das Comunidades Portugeusas, Berta
Nunes. A votação para as legislativas de
06 de outubro, as segundas eleições com o universo eleitoral alargado
(de 300 mil para 1,4 milhões de votantes no estrangeiro) devido à
introdução do recenseamento automático, mereceu críticas, com o Conselho
das Comunidades Portuguesas, órgão consultor do Governo para as
questões da emigração, a apresentar um conjunto de propostas para uma
maior participação cívica em atos eleitorais, no qual defende a votação
presencial, por via postal e eletrónica.Na
mensagem, a secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, recordou
as eleições europeias e legislativas realizadas este ano e que foram
“os primeiros atos eleitorais a terem lugar após a aprovação do
recenseamento automático dos portugueses no estrangeiro”. “Na
eleição para o Parlamento Europeu a votação da diáspora praticamente
triplicou, face a 2014. No caso da eleição para a Assembleia da
República, a votação nas diferentes forças políticas aumentou cinco
vezes”, afirma, na mensagem.Trata-se de
“sinais evidentes da vontade dos portugueses no estrangeiro participarem
na vida política nacional e de, por essa via, reforçarem a sua
vinculação ao país de origem”.Na mensagem,
a governante afirma que o executivo continuará a ter “um olhar
especialmente atento” à situação dos portugueses que vivem no Reino
Unido e na Venezuela."Continuaremos a ter
um olhar especialmente atento à situação dos portugueses que vivem no
Reino Unido e na Venezuela. Estes sabem que podem sempre recorrer aos
serviços consulares e diplomáticos portugueses. No caso do Reino Unido,
estamos convictos de que o processo de candidatura à autorização de
residência (Settlement Scheme) no contexto do Brexit continuará a
decorrer com normalidade, tal como se verificou em 2019", adianta.Berta
Nunes deseja ainda que “a ligação entre Portugal e os seus cidadãos
dispersos pelos diferentes países do mundo se reforce cada vez mais”,
nomeadamente “nas dimensões cívica, política, cultural e linguística”,
mas também “na sua relação com a administração pública portuguesa”.A
governante anuncia que em 2020 o Governo vai “continuar a trabalhar
para que seja possível responder com maior celeridade, e eficácia, às
necessidades dos portugueses residentes no estrangeiro”.“Encontra-se
em fase avançada um importante trabalho de elaboração de um novo modelo
de gestão consular, que apostará fortemente na inovação, na
modernização administrativa e na desmaterialização e simplificação de
processos. O objetivo passa por tornar mais fácil e cómodo o recurso aos
serviços consulares por parte dos cidadãos”, lê-se na mensagem.Para
Berta Nunes, “só através da análise e do diálogo aprofundado com os
portugueses no estrangeiro será possível enfrentar os desafios que se
colocam na promoção do associativismo, no ensino da língua, na boa
integração nos países de acolhimento, nos momentos de emergência e de
proteção consular e, principalmente, nas situações de dificuldade e de
carência económica”.