Governo antecipa “reafirmação da unidade da Aliança” e destaca reforço de investimento
Hoje 12:42
— AO Online/Lusa
De acordo o gabinete do primeiro-ministro,
Luís Montenegro, a cimeira da Aliança Atlântica, que decorre até
terça-feira em Ancara, capital da Turquia, representará para o país “um
momento muito importante” a vários níveis. Em
primeiro lugar, a cimeira representará um momento de “reafirmação da
unidade da Aliança e da centralidade do Atlântico para a segurança da
Europa - como Portugal sempre sublinhou”. Esta
cimeira decorre numa altura de tensão entre a Europa e os Estados
Unidos da América, com a administração norte-americana a recuar no seu
investimento no âmbito da Aliança Atlântica, inclusive com a retirada de
tropas, argumentando que cabe aos aliados europeus um maior papel na
defesa daquele continente. O Governo
português sublinha que “cumpriu o compromisso que assumiu”, tendo
investido 2,01% do PIB em Defesa - um reforço de 1,6 mil milhões de
euros num ano - “sem comprometer a estabilidade das contas públicas ou
as políticas sociais”.O executivo realça
ainda que dispõe “de uma trajetória credível para continuar a investir
responsavelmente e com o propósito de melhor capacitar as forças armadas
em linha com as metas definidas pela NATO” - na última cimeira, em
Haia, os aliados subiram para 5% a meta de investimento até 2035.Portugal
assume-se como “um contribuinte líquido para a segurança
transatlântica, ao participar em diversas missões da Aliança, como na
Roménia, que o primeiro-ministro visitou em 2025, ou no policiamento
aéreo do Báltico”, destaca o executivo.“A
Cimeira de Ancara deverá confirmar a força do vínculo transatlântico,
com base na reafirmação do compromisso dos EUA para com a Aliança e a
assunção de maiores responsabilidades por parte dos países europeus,
adiantou a mesma fonte. O executivo realça
que a Europa tem vindo a fazer este reforço “de há anos a esta parte” o
que “permitirá um melhor equilíbrio no seio da relação transatlântica”.Além
disto, na ótica do executivo português, esta cimeira "deverá permitir
reafirmar o apoio à Ucrânia, que é essencial à segurança da Europa, e
sublinhar a necessidade de desenvolver as indústrias de defesa, com
todas as oportunidades económicas que daí decorrem”.No
plano do desenvolvimento das indústrias do setor, o Governo realça a
importância de ter uma “atenção específica às PME, centrais ao tecido
produtivo” português.A cimeira da NATO vai
decorrer em Ancara, capital da Turquia, país no qual Portugal tem
atualmente dois navios reabastecedores a ser construídos: o NRP Luís de
Camões e o D. Dinis, com entrega prevista para 2028.Numa
altura em que os EUA exigem um reforço do pilar europeu da NATO e
criticam fortemente alguns aliados, - nomeadamente países como Espanha,
Itália ou o Reino Unido que recusaram ceder as suas bases militares para
operações ofensivas contra o Irão, - Portugal tem mantido uma postura
colaborante sem antagonizar a administração norte-americana.O
país tem sido até elogiado pela administração de Donald Trump,
nomeadamente no que toca ao uso da Base das Lajes, nos Açores, e a
aliança transatlântica pode inclusive ser reforçada caso Portugal
escolha os F-35 norte-americanos para substituir os F-16 – decisão que
não se prevê que saia desta cimeira.O
negócio está a ser disputado também por empresas europeias, como a Saab,
que usam o argumento do reforço da autonomia estratégica da UE como
trunfo.