Governo alerta portugueses contra férias em destinos longínquos
15 de jul. de 2020, 17:24
— Lusa/AO online
“Estamos a pedir aos
portugueses que façam férias cá dentro, estamos a sugerir que evitem
viagens não essenciais ao estrangeiro e estamos a avisar que, se forem
agora para destinos exóticos ou com ligações fracas a Portugal, não
contem com uma operação de repatriamento com a dimensão e a rapidez com
que foram organizadas em março e em abril”, disse o ministro dos
Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.O
ministro, que falava na vídeoconferência “Liberdade e Confinamento”,
organizada pela Comissão Nacional de Direitos Humanos, um organismo
interministerial, evocou o alerta no contexto das limitações atuais às
viagens.Augusto Santos Silva voltou a
criticar a descoordenação entre os Estados-membros da União Europeia
(UE), que estão a aplicar “medidas de restrição organizadas
nacionalmente”, mas frisou que não tem “nenhum problema com avisos aos
viajantes”, de que são exemplos os apelos aos portugueses que referiu.O
ministro lembrou que a UE, em reunião dos ministros dos Estados-membros
que pertencem ao espaço de livre circulação Schengen, emitiu uma
orientação geral que previa que, até ao fim de junho, fossem respostas
as condições de liberdade de circulação, orientação que “vários Estados
membros têm incumprido”.Santos Silva
considerou “contrário à lógica europeia que haja medidas de restrição
organizadas nacionalmente”, algumas “sem qualquer fundamento técnico”, e
que, no caso das quarentenas ou interdição de voos, “induzem em erro as
pessoas”.“Se eu obrigar alguém que vem
num avião […] a estar 15 dias confinado, não estou a resolver o problema
da pandemia. Se esse alguém tiver vindo infetado no avião e se no avião
não tiver sido usada máscara ou outras medidas de segurança, essa
pessoa […] pode ter contaminado o avião inteiro”, exemplificou.O
ministro voltou a salientar que “as medidas eficazes são as medidas de
proteção sanitária e as regras de segurança”, as quais deviam ser
“aplicadas articuladamente pelos Estados-Membros”.Augusto
Santos Silva advertiu por outro lado que a lógica das quarentenas e da
interdição de voos “rapidamente deriva para o isolamento e o
nacionalismo, para a estigmatização de natureza nacional, ética ou
outra”.Segundo números oficiais, mas de
5.700 portugueses foram repatriados de países e territórios de todos os
continentes desde o início da pandemia.