Governo alemão apresenta plano contra a imigração irregular com restrições aos refugiados
Migrações
12 de set. de 2024, 11:58
— Lusa/AO Online
“Este
pacote de segurança cumpre a promessa fundamental de um Estado
democrático de zelar pela liberdade dos cidadãos”, afirmou Nancy Faeser,
na intervenção que abriu o debate parlamentar sobre as medidas, após os
ataques de caráter islamista de Mannheim e Solingen, cidades do oeste
da Alemanha, e a ascensão da extrema-direita no país."Não
vamos permitir que esta promessa seja posta em causa através de
criminosos brutais e ataques contra pessoas inocentes que confiam na
segurança do Estado. Ataques mortais como os que vimos em Mannheim e
Solingen precisam de respostas claras e nós estamos a dar essas
respostas", acrescentou a ministra do Interior.De
acordo com o plano do Governo, que é debatido pela primeira vez no
Parlamento (Bundestag), os requerentes de asilo perderão a proteção do
Estado se saírem de férias para o seu país de origem, por exemplo. No
entanto, aplicam-se exceções, como aos refugiados da Ucrânia, entre
outras, segundo o canal de televisão NTV.Os
requerentes de asilo deixarão também de ter o reconhecimento do Governo
se forem condenados por crimes graves, como antissemitismo, racismo,
entre outros.Além disso, a iniciativa do
Governo procura acelerar a expulsão de requerentes de asilo que se
encontram na Alemanha e a sua entrada inicial foi registada noutro país
da União Europeia (UE), de acordo com a Convenção de Dublin.Estes migrantes, de acordo com o plano de Faeser, só receberão prestações sociais durante 15 dias na Alemanha.Após
este período, estes serviços seriam reduzidos ao mais básico, uma vez
que o alojamento, a alimentação e a higiene seriam cobertos caso
permanecessem em território alemão.Thorsten
Frei, representante do principal grupo de oposição no Parlamento
alemão, formado pela União Democrata-Cristã (CDU) e pela União
Social-Cristã da Baviera (CSU), afirmou na sua resposta a Faeser que a
intenção do Governo de expulsar os refugiados registados noutros países é
“boa”, embora insuficiente.“As expulsões
do sistema de Dublin não são devoluções”, disse Frei, cujo partido
defende não permitir a entrada de imigrantes ilegais no país.Perante
pressões políticas internas, em 09 de setembro, Faeser anunciou
controlos nas fronteiras da Alemanha com França, Países Baixos, Bélgica,
Dinamarca e Luxemburgo, que se somarão aos já existentes nas fronteiras
com Polónia, República Checa, Suíça e Áustria.A
ministra alemã confirmou ainda que está a ser estudada a fórmula
jurídica que permitirá no futuro realizar "rejeições massivas" de
imigrantes irregulares no quadro jurídico da UE.No
entanto, na terça-feira, a reunião dos responsáveis do Governo, da
oposição e dos Estados federados para enfrentar o desafio da imigração
falhou, uma vez que os partidos não conseguiram chegar a acordo sobre
quais as medidas a tomar. A CDU exigiu expulsões imediatas já na
fronteira, o que, segundo o executivo, violaria o Direito alemão e
comunitário.O pacote de medidas do
Ministério do Interior inclui ainda um endurecimento das regras
relativas às armas, uma vez que o Governo de Olaf Scholz pretende a
proibição do porte de facas em locais públicos ou locais particularmente
afetados pela criminalidade, nomeadamente estações de comboio.No
final de junho, um agente da polícia foi morto por um afegão, de 25
anos, em Mannheim. A 23 de agosto, três pessoas morreram num ataque com
faca reivindicado pela organização terrorista Estado Islâmico (EI),
cometido por um sírio, de 26 anos, que deveria ter sido expulso do país.