Governo admite "várias queixas" nos CTT e considera “mais desafiante” negociar com empresa privatizada
30 de jun. de 2020, 12:48
— Lusa/AO Online
“A empresa não é pública, os caminhos que
temos de trilhar para conseguir que os CTT façam o trabalho que queremos
é diferente e mais desafiante do que, obviamente, se tivéssemos o
controlo da empresa, não é isso que acontece e não está, neste momento,
em cima da mesa do Governo esse debate”, afirmou o ministro das
Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, numa audição
parlamentar na comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e
Habitação, na Assembleia da República, em Lisboa.Em
resposta aos deputados do PS, do BE e do PCP sobre o serviço prestado
pelos CTT, o ministro reconheceu que existem “várias queixas”,
destacando o papel da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), “que
tem sido agressivo na regulação”, com indicadores exigentes, mas que
“são aqueles que o povo português merece que sejam cumpridos”.Neste
âmbito, Pedro Nuno Santos lembrou a aplicação de “coimas elevadas” por
parte da Anacom, na sequência de incumprimento dos indicadores de
qualidade nos serviços prestados pelos CTT.“No
quadro de uma empresa totalmente privatizada, este é o principal
instrumento para tentarmos conduzir a empresa ao serviço que
ambicionamos e ao serviço a que temos direito”, avançou o governante,
referindo-se à atuação da Anacom e defendendo que “há ainda muito
trabalho a fazer com os CTT”, para que o serviço seja de grande
qualidade.Sobre o serviço postal universal
prestado pelos CTT, o ministro das Infraestruturas adiantou que o novo
contrato de concessão “tem de estar fechado até ao final deste ano”,
explicando que há um conjunto de diligências que ainda estão a decorrer,
inclusive reuniões com os sindicatos e com a Associação Nacional de
Freguesias (ANAFRE).“Há sempre um limite
naquilo que se pode fazer num contrato deste tipo, mas vamos tentar
desenvolver o contrato para que as garantias sejam maiores, nomeadamente
no que diz respeito às várias áreas onde vamos tendo problemas”,
reforçou o titular da pasta das Infraestruturas, destacando a
intervenção das juntas de freguesia, “que são muitas vezes financiadoras
líquidas do serviço dos CTT”.Completando a
intervenção do ministro, o secretário de Estado Adjunto e das
Comunicações, Alberto Souto de Miranda, reiterou a importância da Anacom
como “preponderante na fiscalização” dos indicadores de qualidade na
prestação do serviço postal universal, ressalvando que o registo de
queixas, em particular nas regiões autónomas da Madeira e do Açores, é
conjuntural, nos últimos três meses, devido à escassez de voos que
transportavam o correio, devido à pandemia da covid-19.Alberto
Souto de Miranda referiu que o novo contrato de concessão entre o
Estado e os CTT tem de garantir a relação de proximidade entre os
cidadãos e os estabelecimentos, postos ou estações de correio,
estabelecendo-se como critério “o mínimo de uma estação de correio por
concelho”.“Tem de ser garantindo, mas
vamos ser mais exigentes do que isso, há freguesias que têm população
com 10 mil, 20 mil habitantes, portanto justifica ter mais do que um
posto de correio por freguesia”, apontou o secretário de Estado Adjunto e
das Comunicações, acrescentando que a distância média atual de
proximidade entre as pessoas e os postos de correios é, “consoante seja
território rural ou urbano, de seis mil metros ou 11 mil metros”.De
acordo com Alberto Souto de Miranda, esses critérios vão ser mantidos,
“embora se admita que, como o serviço universal está em plena evolução e
também a necessidade das pessoas, haja margem para alguma atualização”.“As
coisas estão muito maduras, há algum trabalho ainda por fazer, mas
estão preparadas, não há nenhuma razão para pensarmos que até ao fim do
ano não tenhamos um contrato de concessão negociado e contrato com os
CTT”, revelou o secretário de Estado.Entre
os aspetos que estão a ser trabalhados está o princípio da
subcontratação a entidade terceiras, em especial nas juntas de
freguesia, por serem entidades públicas e com “um capital de confiança
fundamental”, advogou Alberto Souto de Miranda, considerando que é “um
bom princípio, uma boa metodologia, desde que nessas negociações e no
contrato de concessão sejam estabelecidas balizas para que as juntas
tenham uma remuneração que seja justa”.