Governo admite um sistema de reembolso para embalagens de vidro
Hoje 11:41
— Lusa/AO Online
“Pode
fazer sentido ter um SDR [sistema de depósito e reembolso] de vidro, mas
temos de ter muito bem contabilizado, do ponto de vista económico, a
vantagem de um SDR de vidro comparado com o sistema que estamos a usar
agora”, disse a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho,
na sede do Governo, no Campus XXI, em Lisboa, a propósito da entrada em
vigor do SDR, denominado de Volta. A partir de hoje há embalagens de bebidas que valem 10 cêntimos se colocadas vazias em máquinas automáticas. As
máquinas do SDR, que estão em todo o país, vão receber embalagens de
bebidas de uso único, de plástico e metal, até três litros, e imprimir o
respetivo reembolso. A máquina esmaga a embalagem e retribui com o reembolso de 10 cêntimos. O sistema pretende reciclar 90% dos produtos abrangidos até 2029, segundo os responsáveis pela iniciativa. Em
relação à não inclusão de embalagens de vidro nas máquinas, uma crítica
das associações ambientalistas, a ministra do Ambiente disse que o
vidro tem um sistema diferente e que não pode ser esmagado desta forma e
que neste momento não teria grande vantagem em comparação com a
utilização do ecoponto vidrão. “No caso dos SDR de vidro, não têm grande vantagem em relação ao sistema que nós já usamos, do vidrão”, explicou a ministra.Após
ser questionada sobre se a inclusão de vidro no SDR valeria a pena para
cumprir as metas de reciclagem deste material, que neste momento estão
abaixo do objetivo, Maria da Graça Carvalho referiu que antes é preciso
perceber a mecânica do vidro.“Tem de se
ter muita atenção do custo-benefício e é isso que tem de ser visto para o
vidro, ver qual é a melhor solução”, disse a ministra. Apesar
de o SDR ter como foco a reciclagem, Maria da Graça Carvalho indicou
que também estão a ser feitos investimentos na reutilização de
embalagens, através do Plano de Recuperação e Resiliência. (PRR) “Temos
agora investimentos nos diversos programas operacionais do Fundo de
Coesão, o Sustentável 2030 e os regionais”, acrescentou. A
partir hoje, desde que tenham o símbolo Volta, estejam inteiras, sem
líquidos, com tampa e com o código de barras, as embalagens são aceites
em qualquer uma das 2.500 máquinas espalhadas pelo país, mais de 8.000
pontos de recolha manual e 48 quiosques para entregas de grandes
quantidades. Estarão, por exemplo, junto de supermercados. Até
9 de agosto, o SDR está numa fase de transição e por isso é natural
estarem à venda os produtos sem o logótipo, que por isso não são aceites
pelas máquinas.No entanto, ao comprar a bebida o consumidor também não pagou os 10 cêntimos a mais pela embalagem.O
sistema SDR já está implementado em vários países europeus, como a
Alemanha, Áustria ou Dinamarca, e recolhe anualmente mais de 35 mil
milhões de embalagens, envolvendo cerca de 357 milhões de habitantes.