Governo admite necessidade de revisão do contrato coletivo de trabalho da pesca
18 de mai. de 2023, 16:01
— Lusa
“O que consta do contrato
coletivo de trabalho é um salário mínimo para a pesca de 150 euros.
Daquilo que temos conhecimento, não há nenhum contrato coletivo de
trabalho assinado por este valor”, afirmou, em declarações à Lusa, o
titular da pasta das Pescas nos Açores, Manuel São João.O
governante falava na freguesia de São Mateus, em Angra do Heroísmo, à
margem de uma reunião com o Sindicato dos Pescadores da Ilha Terceira,
em que um dos assuntos em discussão foi a revisão do contrato coletivo
de trabalho.Para o dirigente sindical
Paulo Borges, é preciso “fazer uma revisão completa” do contrato
coletivo de trabalho, “sobretudo nas matérias pecuniárias”, que exigem
“uma nova filosofia de aplicação”.“Comprometemo-nos
a apresentar, no mais curto espaço de tempo possível, uma proposta de
revisão deste contrato à Federação das Pesca”, adiantou.Segundo
Paulo Borges, com as alterações recentes ao Código de Trabalho, é
preciso também rever o contrato coletivo de trabalho do setor das
pescas, que “não é aplicado no global ao setor”.O
secretário regional do Mar e das Pescas ressalvou que a tutela não é
“outorgante do contrato”, mas admitiu que o acordo “carece de ser
alterado”.“Temos todo o interesse em
conseguir as melhores soluções para os profissionais da pesca. Vamos
tentar, de alguma forma, implementar as alterações em prol do setor. A
secretaria tem capacidade em termos de apoio jurídico e é isso que
disponibilizaremos. Contamos com a boa vontade dos outorgantes”,
adiantou.Manuel São João revelou que já
foi “acertada” com a Federação das Pescas a necessidade de rever o
contrato e sublinhou que “é urgente fazer alguma coisa no setor”.“O
problema não se tem posto com muita acuidade, porquanto os atuneiros,
por exemplo, têm contratos a seis meses e resolvem o problema. Ficamos
com as demais embarcações em situações em que temos de encontrar uma
solução que seja, ao mesmo tempo, gratificante para os profissionais e
também para os armadores e empresários de pesca que também precisam de
ver rentabilizada a sua embarcação”, frisou.Em
discussão na reunião estiveram também questões relacionadas com a
aposentação dos pescadores, apesar de não serem da competência direta da
secretaria regional das Pescas.Segundo Manuel São João, com o atual sistema, o pescador profissional é “penalizado quanto aos descontos”.Há
profissionais com “40, 50 e mais anos de atividade”, que “por não ter
decorrido a idade não têm ainda acesso à reforma” e outros que, por
terem “hiatos de descontos, têm reformas de valor mais reduzido”.O
governante salientou que já foram introduzidas alterações ao Fundo de
Compensação Salarial dos Profissionais da Pesca dos Açores (Fundopesca),
para que sejam feitos descontos no período em que os pescadores
beneficiam dessa compensação, fazendo com que esse tempo seja
contabilizado para efeitos de aposentação.