Governo admite começar a pagar reposição salarial aos docentes nesta legislatura
17 de nov. de 2017, 08:38
— Lusa/AO Online
A revelação foi
feita pelo secretário-geral da Federação Nacional dos Professores
(Fenprof) à saída da reunião com o Governo no Ministério da Educação
(ME) e contraria o que havia sido dito anteriormente às outras forças
sindicais que se reuniram com o executivo antes desta federação.Segundo
Mário Nogueira, que falava aos jornalistas ao lado de representantes da
Federação Nacional de Educação (FNE) e da Frente Sindical de Docentes,
que na tarde de quinta-feira já tinham estado reunidos com a tutela, o
Governo admite também contar na íntegra todo o tempo de serviço
congelado e garantiu não mexer no Estatuto da Carreira Docente, que
regula a profissão dos professores, nesta legislatura.“Ficou
claro que o início da recuperação terá lugar ainda na atual
legislatura, não será em 2020, será antes”, disse o secretário-geral da
Fenprof.Este é
um dos três aspetos que os sindicatos querem ver vertidos para um
documento escrito, que deverá ser entregue pelo Governo às estruturas
representativas dos professores na reunião agendada para hoje às 17:30.Para
além da garantia do início de pagamento ainda nesta legislatura os
sindicatos querem que conste do documento a contagem integral do tempo
de serviço congelado – nove anos, quatro meses e dois dias – e a
calendarização do faseamento para a reposição salarial do tempo
congelado, que, defendem os sindicatos, “não pode ir além de quatro
anos”.Os
sindicatos conseguiram ainda garantias relativamente a algumas questões
específicas: para além de não haver alterações ao Estatuto da Carreira
Docente nesta legislatura, não será pedido aos professores colocados em
escalões de topo da carreira qualquer tempo adicional para progressão ao
escalão seguinte e haverá reposicionamento para os docentes retidos no
1.º escalão da carreira desde 2011 com efeitos já em janeiro de 2018.Se
o texto apresentado aos sindicatos na reunião da tarde corresponder às
exigências e expectativas dos professores, as negociações específicas
relativas à reposição salarial faseada têm início em dezembro.Se não corresponder os professores garantem que voltam às ruas.“No
final de reunião anunciaremos as formas de luta que iremos desenvolver
provavelmente antes do encerramento do Orçamento do Estado”, disse Mário
Nogueira sobre a possibilidade de o desfecho não ser o desejado pelos
professores.Ainda
que a posição dos sindicatos seja a de exigir o início do pagamento
ainda em 2018, Mário Nogueira admitiu alguma margem de negociação dentro
desta legislatura.“Como se sabe, em negociação, as coisas são como são e procuraremos encontrar equilíbrios”, disse.A
reunião com a Fenprof começou ao início da noite de quinta-feira e
terminou já depois da 01:00 de hoje, sendo a última de três.A
Frente Sindical de Docentes e a Federação Nacional de Educação já
tinham estado reunidas com o executivo, representado pela secretária de
Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, e pela Secretária de
Estado do Emprego e Administração Pública, Fátima Fonseca.Estas
duas estruturas sindicais tinham obtido resultados bastante diferentes,
com o Governo a manter uma posição intransigente que remetia para a
próxima legislatura qualquer pagamento relativo à reposição salarial da
contagem de tempo de serviço congelado aos docentes, para além de
pretender não contar o tempo congelado na totalidade.Na
discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2018, que
decorreu na quarta-feira no parlamento, a secretária de Estado Alexandra
Leitão afirmou que qualquer reposição do tempo de serviço dos
professores ficaria de fora do próximo orçamento.Na
terça-feira, o primeiro-ministro anunciou que o cronómetro da carreira
dos professores iria voltar a contar para efeitos de progressão,
lembrando no entanto que a reposição imediata e total dos anos de
congelamento custaria 650 milhões de euros.