Governo açoriano quer comissão para detalhar origem do incêndio no hospital de Ponta Delgada
5 de jul. de 2024, 14:59
— Lusa/AO Online
“Irei
propor, através de uma resolução do Conselho do Governo, uma comissão
técnica e independente e isenta para produzir um relatório técnico
detalhado”, anunciou a secretária da Saúde e Segurança Social.Mónica
Seidi, que falava em conferência de imprensa em Ponta Delgada, adiantou
que o executivo dos Açores também vai também solicitar
uma auditoria da avaliação do combate ao incêndio de 04 de maio que
deixou o maior hospital dos Açores inoperacional.“Não
tenho dúvida de que os nossos bombeiros prestaram um serviço exemplar,
mas uma vez que é suscitada uma questão relativamente, não à avaliação
do desempenho, mas à eficiência do mesmo, em articulação com o serviço
Proteção Civil, iremos pedir uma auditoria da avaliação de desempenho”,
revelou.A secretária da Saúde reiterou,
por outro lado, que o incêndio no hospital de Ponta Delgada, na ilha de
São Miguel, teve origem “ao nível de uma bateria de correção de fator de
potência ou bateria de condensadores”.Na
quinta-feira, em declarações à Antena 1, o autor do relatório técnico
sobre as causas do incêndio no HDES, João Mota Vieira, desmentiu o
executivo regional ao afirmar que o incidente não teve origem nas
baterias de condensadores.A governante
realçou também que o relatório do grupo de trabalho sobre o incêndio no
HDES já foi submetido à Assembleia Regional, rejeitando as acusações de
falta de transparência lançadas pelo PS na quinta-feira.“O
Governo Regional não esperou, esteve a recolher elementos”, justificou,
especificando que o documento inclui a análise da situação de resposta
aos cuidados de saúde em situação de calamidade, o relatório de incêndio
feito pelos bombeiros, a avaliação estrutural realizada ao bloco C4 do
HDES e o relatório de prejuízos do incidente.A
secretária regional destacou ainda que vai ser realizado um programa
funcional, que vai construir uma “visão estratégica” para o
HDES orientada para um “horizonte temporal de 30 anos”.O
programa será feito por um “conjunto de especialistas”, com contributos
dos profissionais de saúde, e vai ser entregue até final do mês
outubro.Só depois de o programa funcional estar “bem definido” é que o projeto de requalificação do hospital vai ser elaborado, afirmou.“Gostaríamos
que fosse antes disso [do final do ano]. O que não queremos é fazer as
coisas à pressa, reconhecendo que temos urgência no sentido de avançar o
quanto antes com o projeto de arquitetura”, declarou.Mónica
Seidi disse também que o futuro do HDES vai ser caracterizado pela
“reparação, reorganização e redimensionamento”, mas realçou que a
“retoma gradual, programada e faseada do funcionamento da atividade
clínica” vai “observar sempre aos princípios de precaução e segurança”.Segundo
disse, relativamente os custos decorrentes do incêndio, cerca de oito
milhões foram identificados pelo HDES, enquanto o hospital modular vai
custar cerca de 11,9 milhões (sem IVA).“Já
foram inspecionados todos os quadros elétricos do hospital tendo sido
identificada a necessidade de substituição em 31% dos equipamentos
existentes, prevendo-se que esse trabalho fique concluído até final do
julho”, acrescentou.