Governo açoriano publica plano de prevenção de riscos e corrupção na privatização da Azores Airlines
Hoje 15:45
— Lusa/AO Online
Elaborado por uma sociedade de advogados, o
plano foi hoje publicado em Jornal Oficial e cumpre uma obrigação
prevista no Orçamento da Região para 2026, que refere que, no âmbito das
alienações de participações sociais da região, devem ser criados planos
de prevenção de riscos de corrupção, de acordo com uma recomendação do
Conselho de Prevenção da Corrupção.No
documento são identificadas as diferentes fases do procedimento e os
riscos potenciais de práticas ilícitas, em cada fase, sendo ainda
“definidas as medidas de prevenção e mitigação julgadas adequadas à fase
e ao risco”.O plano pretende “evitar
distorções da concorrência, situações de conflito de interesses e
garantir a igualdade de tratamento entre todos os concorrentes”, em
cumprimento do Direito da União Europeia, do Regime Geral de Prevenção
da Corrupção, aplicável a entidades integradas no setor público
empresarial da Região Autónoma dos Açores, que empregam 50 ou mais
trabalhadores, e das Recomendações do Conselho de Prevenção da
Corrupção.O documento refere que a escolha
da modalidade de negociação particular “é, ela própria, o primeiro
fator amplificador de risco”.“Ao contrário
do concurso público, a negociação particular pode concentrar os poderes
de decisão num número reduzido de intervenientes, limitar o acesso
público à informação procedimental e conferir ao órgão promotor uma
discricionariedade muito superior na condução de cada fase”, lê-se no
plano.Para além de “detetar, prevenir,
evitar e minimizar o risco de corrupção no processo de privatização”, o
plano pretende “assegurar a cessação dessa eventual conduta ilegal e a
responsabilização dos seus intervenientes”, “evitar o desvio de recursos
públicos para interesses particulares” e “garantir o cumprimento da
legislação, nacional e internacional, com vista a evitar todo o tipo de
corrupção e assegurar a transparência e a justiça dos procedimentos”.Visa
ainda “assegurar a rastreabilidade e a fundamentação de todas as
decisões tomadas no âmbito do procedimento, em todos os níveis de
decisão” e “promover uma cultura de integridade, isenção e
responsabilidade entre todos os intervenientes no procedimento,
incluindo membros de órgãos sociais, dirigentes, trabalhadores e
assessores externos”.São definidos também
objetivos operacionais específicos relacionados com o facto de a
alienação ocorrer em negociação particular “numa companhia aérea de
interesse público regional, imposta por decisão da Comissão Europeia e
com potencial participação de investidores internacionais de diversa
proveniência”.Neste sentido, o plano
pretende assegurar a conformidade do procedimento de privatização com as
Decisões da Comissão Europeia, “prevenindo qualquer conduta que possa
determinar a incompatibilidade da operação com o Direito da União
Europeia dos auxílios de Estado e implicar a recuperação dos apoios
concedidos ao Grupo SATA”.Pretende ainda
“garantir a identificação, verificação e atualização do beneficiário
efetivo de todos os proponentes que participem no procedimento,
prevenindo a participação de entidades proponentes com estruturas
societárias opacas ou com capitais de origem não verificada”.O
plano visa assegurar que “os meios financeiros utilizados na operação
provêm de fontes lícitas e verificáveis”, e que há uma “proteção efetiva
dos denunciantes de irregularidades ocorridas no âmbito do
procedimento”.Assume ainda como objetivos
“prevenir e gerir situações de conflito de interesses” envolvendo
membros dos órgãos de administração, assessores externos e membros das
estruturas de supervisão e “assegurar a paridade informativa entre todos
os proponentes admitidos ao procedimento”.O
acompanhamento da execução do plano é assegurado conjuntamente pelo
Supervisor Independente e pela Comissão Especial de Acompanhamento.O
conselho de administração da SATA Holding, S.A. “assegura o registo
sistemático das medidas implementadas, das ocorrências relevantes
detetadas e das ações corretivas adotadas ao longo do procedimento”.O
caderno de encargos de privatização da SATA Internacional/Azores
Airlines propõe a venda de pelo menos 75% da companhia e impede a
extinção de postos de trabalho e despedimentos coletivos durante 30
meses, segundo revelou a agência Lusa a 21 de maio.De
acordo com o plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia, o
caderno de encargos estabelece um modelo de “negociação particular”
para a privatização da companhia aérea, que vai ter de ser concluída até
final do ano.Esta semana, a SATA Holding anunciou que o prazo para a entrega de propostas não vinculativas foi fixado em 21 de setembro.A
venda de pelo menos 75% da empresa representa uma diferença face ao
anterior concurso, que previa uma alienação mínima de 51% e máxima de
85%, um procedimento encerrado a 06 de março sem privatização, após o
júri e a administração da SATA terem considerado que a proposta do
Atlantic Connect Group, a única admitida, apresentava “riscos
inaceitáveis”.