Governo açoriano prevê aplicar plano regional de apoio a sem-abrigo em 2025
16 de nov. de 2024, 17:53
— Lusa
“Em 2025
vai ser lançado o primeiro Plano Regional para a Pessoa Sem-Abrigo”,
disse hoje a secretária regional da Saúde e Segurança Social dos Açores,
Mónica Seidi, indicando que terá “implementação direta” no concelho de
Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, onde a situação, influenciada pela
toxicodependência, é mais acentuada.A
governante, que falava no 1.º encontro sobre "As Juntas de Freguesia
enquanto suporte da comunidade: O seu papel no fenómeno dos
comportamentos aditivos na Ilha de São Miguel", promovido pela delegação
dos Açores da Associação Nacional de freguesias (Anafre), explicou que a
elaboração do plano para apoiar pessoas sem-abrigo partiu de um estudo
efetuado pela Norma‑Açores - Sociedade de Estudos e Apoio ao
Desenvolvimento Regional, S.A.O resultado
apurado, indicou, dá uma base de trabalho para que seja “implementado em
2025 o primeiro Plano Regional para a Pessoa Sem-Abrigo”.Segundo
Mónica Seidi, o “estudo exaustivo” identificou 386 pessoas na região na
condição de sem abrigo, “maioritariamente nas ilhas de São Miguel e na
ilha Terceira” e que se trata de “um problema muito acentuado no
concelho de Ponta Delgada”.“Isto vai fazer
com que haja aqui duas atuações. Numa fase imediata, uma implementação
direta [do plano] no concelho de Ponta Delgada e, naturalmente, a nível
regional também terão que ser tomadas medidas. Mas atendendo [a] que há
uma emergência, e nós assumimos isso, no concelho de Ponta Delgado, será
por aqui que este plano se iniciará”, disse.A
titular da pasta da Saúde e da Segurança Social no executivo açoriano
de coligação PSD/CDS-PP/PPM, adiantou que no âmbito do estudo sobre
pessoas sem-abrigo na região foram auscultadas 87 entidades com
intervenção direta e indireta na problemática e entrevistadas 50 pessoas
em situação de sem-abrigo e, ainda, 15 familiares que relataram a sua
experiência. “Também sem novidade,
conseguimos perceber que toda esta problemática está fortemente
associada a questões relacionadas com comportamentos aditivos”, disse.Em
relação aos comportamentos aditivos, Mónica Seidi referiu que deve ser
feito trabalho no âmbito da prevenção, com a criação de equipas de
prevenção (que ainda não existem em todas as ilhas), “mas que terão de
ter uma ação concertada” com o Plano de Saúde Escolar.“Temos
em vigor um Plano Regional de Comportamentos Aditivos que terá de ser
renovado já no próximo ano, que já está em fase final de conclusão para
ser lançado atempadamente, porque, no âmbito também daquilo que é o
Plano Regional de Saúde 2030, este é um programa considerado
prioritário, porque também, de forma muito franca e sincera, o Governo
Regional assume que a Região Autónoma dos Açores tem aqui um problema”,
afirmou.Na sua opinião, “nunca se falou
tanto de toxicodependência como se tem falado nesta legislatura”, o que
“também demonstra evolução, alguma maturidade e uma assunção deste
problema, como o problema da sociedade e da Região Autónoma dos Açores”.“Acho
que temos todos a responsabilidade de ter uma ação consequente, pelo
menos, ou na inversão desta tendência, que tem sido crescente ou até
mesmo a continuar a reduzir algumas das problemáticas que são cada vez
mais emergentes”, acrescentou.Mónica Seidi
considerou ainda que a temática da toxicodependência “não deve ser
nunca utilizada como arma de arremesso político” e defendeu que todas as
entidades abrangidas devem “trabalhar em rede”.A
terminar, disse que registou a disponibilidade e a vontade dos
presidentes das Juntas de Freguesia dos Açores para que na região seja
dada uma resposta diferente daquela que existe atualmente.