Governo açoriano pagou 1,9 ME em retroativos aos trabalhadores dos matadouros
14 de jul. de 2025, 19:08
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o executivo açoriano de
coligação referiu que “cumpriu o estabelecido” com os trabalhadores dos
matadouros da região.“Este pagamento
decorre do Decreto Legislativo Regional n.º 11/2024/A, de 21 de
novembro, que define o novo regime jurídico da carreira especial dos
trabalhadores dos matadouros da rede regional de abate”, esclareceu na
nota, indicando que desde o início de 2025 que o Governo Regional
“passou a aplicar os novos vencimentos associados a esta mudança de
regime”.A indicação do pagamento foi hoje
confirmada pelo secretário regional da tutela, António Ventura, que
visitou o matadouro da ilha Terceira.Os
trabalhadores dos matadouros dos Açores estiveram em greve, no dia 14 de
maio, para exigir o pagamento de retroativos de 2024, relativos às
alterações na carreira, e admitiram nova paralisação numa das alturas do
ano de maior procura dos serviços.Naquele
dia, o presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, garantiu
que as atualizações salariais dos trabalhadores dos matadouros seriam
pagas em junho, mas apelou à responsabilidade, assinalando que o
executivo “não tem varinhas mágicas para corresponder às ambições de
todos".A greve foi convocada pelo
Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e
Regiões Autónomas e decorreu nos matadouros públicos dos Açores, geridos
pelo Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas.Em
causa estava a aplicação do Decreto Legislativo Regional n.º 11/2024/A,
de 21 de novembro de 2024, que define o regime jurídico da carreira
especial dos trabalhadores dos matadouros da rede regional de abate da
Região Autónoma dos Açores.O novo regime
previa uma regularização salarial, com retroativos a 01 de janeiro de
2024, mas, até àquela data, ainda só tinham sido pagos retroativos a 01
de janeiro de 2025.O secretário regional
da Agricultura e Alimentação também participou hoje numa reunião com o
Conselho de Administração do Instituto de Alimentação e Mercados
Agrícolas, onde foram analisados os resultados dos primeiros seis meses
de 2025 no setor da carne de bovinos, com “dados animadores para a
economia regional”.“Entre os indicadores
positivos destaca-se o crescimento de 8% na expedição de carcaças de
bovino em contentor, comparando com o mesmo período de 2024. Este
aumento traduz-se num reforço da capacidade exportadora da Região,
consolidando a presença da carne dos Açores em mercados externos e
assegurando maior escoamento para a produção local, com impacto direto
na valorização do produto, aumento de receitas e estabilidade do setor
pecuário regional”, segundo a nota.O abate
de bovinos com Indicação Geográfica Protegida (IGP) também registou “um
crescimento de 21% comparativamente ao ano de 2020, o que demonstra não
só o fortalecimento da produção diferenciada, como também o
reconhecimento crescente da qualidade e autenticidade da carne
açoriana”.“Este crescimento na IGP
demonstra maior valorização junto dos consumidores, fidelização de
mercados ‘premium’ e proteção da identidade produtiva da Região no
espaço europeu e internacional”, é salientado.O
Governo Regional adianta na nota que, depois de, no ano transato, terem
sido certificados todos os matadouros da região relativos ao bem-estar
animal, encontram-se já em fase de renovação dessa certificação os
matadouros das ilhas do Pico, Faial, Graciosa e Flores.“Este
reconhecimento internacional reflete um esforço coletivo por garantir
práticas éticas na produção animal, cada vez mais valorizadas pelos
consumidores. Os Açores estão a afirmar-se como uma região que respeita
os animais, valoriza a qualidade e responde às novas exigências do
mercado”, sublinhou António Ventura, citado no comunicado.