Governo açoriano não acionou fundo solidário europeu para HDES por falta de requisitos
19 de nov. de 2024, 15:50
— Lusa/AO Online
“Não
acionámos porque não preenchíamos os requisitos”, disse José Manuel
Bolieiro aos jornalistas, em Ponta Delgada, à
margem da sessão de apresentação do Plano para os Media Açorianos.A
Comissão Europeia revelou que o Fundo de Solidariedade da União
Europeia (FSUE) não foi solicitado na sequência do incêndio que deixou
inoperacional o Hospital Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada,
o maior dos Açores.“As autoridades
portuguesas não solicitaram a assistência do FSUE para esta catástrofe”,
lê-se numa resposta da comissária europeia da Coesão e Reformas, Elisa
Ferreira, a uma pergunta do eurodeputado socialista André Rodrigues, a
que a agência Lusa teve acesso.Questionado sobre o assunto, o líder do governo açoriano referiu que o FSUE não foi acionado porque “seria um ato inútil”.José
Manuel Bolieiro explicou que ficou "claro e objetivo”, também numa
audição realizada em sede de uma Comissão do Parlamento Europeu de
Desenvolvimento Regional, que a região não preenchia os requisitos para
receber a ajuda comunitária.“Nós [Governo
Regional] quando tivemos o infeliz incidente do HDES quisemos, desde
logo, reconhecer de imediato a situação de calamidade que dali resultava
para a saúde dos açorianos […] e queríamos recorrer a todos os meios
disponíveis para a sua pronta e rápida recuperação. Verificámos que na
possibilidade do recurso ao FSUE, não estavam preenchidos os requisitos
para podermos aceder”, salientou.Por esta
razão, o eurodeputado Paulo Nascimento Cabral “tomou iniciativa, na sede
de uma Comissão do Parlamento Europeu de Desenvolvimento Regional, [de]
questionar a senhora Comissária Europeia para a matéria, tendo em conta
que os critérios definidos como calamidade eram muito exigentes e não
assumia essa consideração”. Na altura,
continuou, “foi esclarecido que só era possível aceder por via da
calamidade de saúde se estivesse no quadro da Covid, o que não era o
nosso caso”.Neste contexto, o executivo
tomou a iniciativa de recorrer ao Governo da República “para garantir o
cofinanciamento do processo”, que foi conseguido, “à semelhança do que
aconteceu com a sequência do furacão Lorenzo”.“Tivemos
o apoio da República e do Estado, com a comparticipação que foi
requerida e já liberada por resolução do Conselho de Ministros, [de] uma
comparticipação de 85% em toda a despesa que venha a ser realizada, bem
como um adiantamento dos 20 milhões de euros e que, felizmente, está em
cumprimento com base nas decisões do Conselho de Ministros”,
acrescentou o líder do Governo Regional.Ainda
segundo José Manuel Bolieiro, a intervenção do eurodeputado
social-democrata açoriano Paulo Nascimento de Cabral “foi no sentido de
agora trabalhar para eventualmente haver disponibilidade de alteração
dos critérios para que, em situações semelhantes, as regiões
ultraperiféricas possam recorrer ao FSUE, com critérios humanos
exigentes do que aqueles que agora subsistem e que inviabilizaram” a
possibilidade de os Açores terem “acesso ao mesmo”.De
acordo com a Comissão Europeia, o FSUE pode ser ativado a “pedido de um
Estado-Membro afetado por uma catástrofe natural no prazo de 12 semanas
a contar da ocorrência dos primeiros prejuízos”, embora existam
critérios para aceder àquele apoio