Governo açoriano já recebeu programa funcional do hospital de Ponta Delgada reformulado
Hoje 16:32
— Lusa/AO Online
“Os traços gerais do programa vão ao
encontro daquelas que tinham sido as recomendações que o Governo
Regional tinha dado: a concentração dos serviços no atual perímetro
hospitalar, a utilização da capacidade já instalada, aproveitando a
estrutura modular, e, sobretudo, que esta resposta hospitalar fosse
moderna, fosse funcional, estivesse preparada para o futuro e que
obedecesse à requalificação, à reorganização e ao redimensionamento do
HDES”, afirmou, em declarações à Lusa, a titular da pasta da Saúde, Mónica Seidi.Segundo a
governante, o documento foi entregue na quarta-feira ao final da tarde,
antes do prazo limite previsto (15 de maio), e a reformulação contou
novamente com a participação de todos os serviços clínicos e não
clínicos do hospital.O programa funcional
deverá ser discutido em Conselho de Governo no mês de maio, seguindo-se a
criação de um programa preliminar e de um projeto de execução.Passados
dois anos do incêndio que afetou o maior hospital dos Açores, a titular
da pasta da Saúde não avançou com datas para a conclusão dos próximos
passos ou para o início das obras.“Há,
naturalmente, aqui passos e ‘timings’ que não podem ser, de todo,
antecipados ou ignorados ou até ultrapassados. O Governo não está a
remendar, nem a atamancar. Se fosse para atamancar, o HDES já estava
atamancado. O Governo está a fazer um projeto que vem efetivamente
dignificar o HDES, os seus profissionais, a prestação de cuidados de
saúde e, sobretudo, os utentes do Serviço Regional de Saúde”, apontou.Mónica Seidi salientou que o incêndio no HDES foi uma situação “sem precedentes no Serviço Regional de Saúde”.“Estamos
a falar naturalmente de algo que impactou o funcionamento do Serviço
Regional de Saúde, não é uma situação fácil, pelo contrário, é bastante
complexa. Às vezes vejo alguma ligeireza na opinião pública em vários
intervenientes, que efetivamente esquecem-se que há premissas que nós
temos de cumprir, sobretudo, para requalificar, redimensionar,
reorganizar e tornar o HDES uma estrutura moderna”, vincou.A
governante alertou para a complexidade da construção de um hospital e
deu o exemplo do Hospital da Madeira, cujo processo se iniciou em 2006,
foi retomado em 2017 e “ainda não está construído”.Olhando
em retrospetiva para os dois anos que passaram desde o incêndio, a
secretária da regional Saúde realçou que dois meses depois o executivo
já estava a trabalhar no processo do programa funcional e que as
primeiras reuniões com as empresas que apresentaram projetos funcionais
ocorreram entre julho e agosto de 2024.Em
outubro, foi entregue um perfil assistencial e em fevereiro e março de
2025 as versões iniciais dos programas funcionais, seguindo-se um
relatório do conselho de administração do hospital, concluído em agosto
de 2025, e submetido a uma comissão de análise.“Eu
creio que até tem tido uma cadência bastante satisfatória. Claro que
gostaríamos de fazer tudo isto mais rapidamente, mas há, efetivamente,
prazos que não decorrem da responsabilidade do Governo Regional e esses
prazos nós temos de respeitar”, reforçou Mónica Seidi.Questionada
sobre os custos previstos com as obras, a governante não avançou com
números, mas confirmou que se mantém o compromisso do Governo da
República de financiamento em 85%, que “na primeira fase foi cumprido”.“Sem o mapa de quantidades e sem o programa preliminar é impossível nesta fase falar de custos”, justificou.Ainda
sem ter analisado o documento com pormenor, a titular da pasta da Saúde
disse que o programa funcional prevê “a requalificação de áreas
existentes, respeitando pequenas intervenções que tinham sido feitas e
que cumprem os requisitos que são necessários”, mas também uma
“ampliação significativa da estrutura para que consiga cumprir com
normativos legais que estão, hoje, implementados”.O
novo hospital está projetado para “pelo menos para 25 anos”, prevendo
um crescimento da atividade assistencial, uma organização diferente, com
um maior destaque do ambulatório, e a partilha de recursos por várias
especialidades.“Há aqui uma mudança de
paradigma, que vai ao encontro daquilo que melhor se faz no setor da
Saúde, seguindo normas nacionais e europeias e também uma organização
por processos que vai mais ao encontro daquilo que são as ambições do
próprio utente, permitindo aqui uma abordagem estruturada”, revelou a
governante.Está prevista uma reorganização
do ponto de vista funcional, com a criação de espaços dedicados à
saúde da mulher e da criança e à saúde mental de adultos, por exemplo.A
urgência da unidade de cuidados intensivos será instalada numa zona
ampliada e haverá um "crescimento significativo" das salas do bloco
operatório.O serviço de hemodiálise
mantém-se no perímetro hospitalar, mas ainda não há uma decisão sobre o
seu funcionamento ou uma eventual exploração dos serviços.Segundo
Mónica Seidi, o programa funcional sugere a externalização de serviços,
como lavandaria, segurança, limpeza ou cozinha, numa ótica de gestão,
mas essa hipótese ainda terá de ser avaliada pelo executivo açoriano.As
obras vão decorrer com o hospital em funcionamento, o que "vai obrigar a
um cronograma de intervenção dos serviços e a uma organização de
excelência", com o hospital modular a servir de "estrutura de
retaguarda".