Governo açoriano garante pagamentos em atraso na agricultura "o mais depressa possível"
14 de mai. de 2025, 15:01
— Lusa/AO Online
“Vão ser pagos o mais depressa
possível. Haverá sempre atrasos, porque isto funciona sempre em cadeia.
Se tivéssemos uma República e uma União Europeia mais ágeis na
transmissão das disponibilidades financeiras para o Orçamento Regional,
mais facilmente também transportávamos as verbas”, afirmou José Manuel
Bolieiro.O chefe do executivo açoriano falava aos jornalistas, à margem das comemorações do
Dia Nacional da Agricultura, no Mercado Agrícola de Santana, em Rabo de
Peixe, evento promovido pela Associação Agrícola de São Miguel, em
parceria com a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Governo
dos Açores e entidades públicas, privadas e cooperativas.“Eu
não vou desmentir atrasos. Eles existem”, disse José Manuel Bolieiro,
assegurando estar empenhado em “eliminar muita burocracia”, por forma a
acelerar os financiamentos, mas explicou que tal não depende só do
Governo Regional "quando se tratam de financiamentos assegurados pelo
Orçamento de Estado ou pelos fundos comunitários".José
Manuel Bolieiro explicou, ainda, que alguns desses atrasos nos
pagamentos também “resultaram do ‘bug’ fruto do [recente] apagão que
ocorreu em Portugal”.No entanto, “estamos
progressivamente a pagar o que está em atraso”, sublinhou, manifestando
confiança de que, “até final de junho”, haverá “outra liquidez”,
lembrando ainda a existência de um processo eleitoral que termina
domingo."Espero que possamos voltar à normalidade e recuperar atrasos”, afirmou.O
presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, reiterou, por
seu turno, o apelo ao pagamento dos apoios dos Governos da República e
Regional.“Queremos e pretendemos que, até
final de junho, todas essas contas estejam liquidadas com o setor
agrícola dos Açores. E, se não forem liquidadas alguém há de assumir a
responsabilidade por falta de pagamento às suas organizações e aos
agricultores dos Açores”, apontou Jorge Rita, em declarações aos
jornalistas.Jorge Rita, que é também
presidente da Associação Agrícola da Ilha de São Miguel, indicou que no
caso do Governo da República estão “em atraso 22,8 milhões de euros”.“Essa
ajuda ainda não veio”, lamentou o dirigente associativo, que disse não
ver, por parte dos partidos políticos que estão em campanha para as
eleições, a abordagem deste assunto.Da
parte do Governo Regional, Jorge Rita disse que a dívida "é de
aproximadamente 14 milhões de euros", que "têm de ser pagos até junho
aos agricultores dos Açores".As
comemorações do Dia Nacional da Agricultura contaram com a participação
de cerca de 3.000 crianças, oriundas de escolas de vários concelhos da
ilha de São Miguel.O evento teve como
principal objetivo sensibilizar os alunos do 1º. ao 6.º ano de
escolaridade para a importância da agricultura, do mundo rural e do
desenvolvimento sustentável, reforçando a ligação entre os mais jovens e
o setor agrícola.No recinto foram
disponibilizadas várias atividades, que permitiram às crianças explorar
diferentes vertentes da agricultura e do meio ambiente.Estiveram ainda em exposição animais e culturas hortícolas e frutícolas em diferentes fases do seu ciclo de desenvolvimento.As
indústrias de laticínios marcaram também presença e o evento contou
ainda com um espaço de animação, com jogos tradicionais e temáticos
sobre agricultura e uma quinta didática.O
presidente do Governo açoriano destacou o papel da agricultura no
desenvolvimento sustentável dos Açores e o impacto "positivo" das
políticas implementadas.“Estamos perante uma economia agrícola que está de boa saúde, é excelente e recomenda-se”, realçou José Manuel Bolieiro.